30 de maio, 2005 - 11h48 GMT (08h48 Brasília)
Nick Assinder
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, pode não admitir publicamente, mas ele está aliviado com o fato de a França tê-lo tirado de uma situação dífícil ao votar contra a Constituição européia.
Ele pode ser poupado de uma votação que ameaçaria sua liderança na Grã-Bretanha, e vai evitar os meses de divisão que esse debate pode gerar.
Mas mesmo aliviado, ele ainda está se acostumando com a idéia de que agora provavelmente vai pesar sobre seus ombros a reponsabilidade de desfazer os nós da União Européia quando a Grã-Bretanha assumir a presidência rotativa do bloco, em 1º de julho.
O alívio virá com a quase certeza de que os holandeses também devem votar "não" nesta quarta-feira e, independentemente do que o presidente francês Jacques Chirac peça, a Constituição européia pode ter que ser reescrita. Ou esquecida.
Futuro
Sempre houve a crença generalizada de que se a França rejeitasse o tratado, seria inútil a União Européia tentar levá-lo adiante, mesmo se outros países o aprovassem.
E isso significa que, como Blair indicou anteriormente, não haverá referendo na Grã-Bretanha. Não se pode votar para decidir sobre algo que não existe mais.
Deve haver novas tentativas para reviver a Constituição, talvez na reunião da União Européia no próximo mês.
Mas nada dramático deve acontecer num futuro próximo e podem se passar meses até que os líderes do bloco tracem um novo caminho.
Sem um referendo na Grã-Bretanha, Blair não seria jogado numa campanha longa e desgastante para mudar a opinião pública britânica que, atualmente, é majoritariamente contra a Constituição.