26 de maio, 2005 - 08h12 GMT (05h12 Brasília)
Elliott Gotkine
O comandante das Forças Armadas da Bolívia, almirante Luis Aranda, negou que os militares estejam planejando um golpe no país e criticou dois oficiais que defenderam a renúncia do presidente boliviano, Carlos Mesa.
O almirante disse que a declaração dos dois oficiais em entrevista a uma rádio foi irresponsável e fora de hora.
As declarações do comandante militar e dos dois oficiais ocorreram em outro dia de protestos de grupos indígenas em La Paz – eles querem um maior papel do Estado no setor de gás do país.
O presidente boliviano se recusa a deixar o cargo em função da crise.
Um nova lei para o setor de energia entrou em vigor na semana passada, mas desagradou a muitos.
'Mancha'
Grupos de esquerda criticaram a nova lei por ser muito fraca, enquanto o presidente, empresas estrangeiras e empresários locais dizem que ela é muito dura.
Os protestos continuam e abundam rumores de que os militares bolivianos estão tramando um golpe.
Agora, os rumores ganharam alguma credibilidade depois que dois coronéis foram a uma estação local de rádio para dizer a Mesa que renuncie.
Eles também defenderam a nacionalização do setor energético da Bolívia e uma assembléia constituinte para debater uma nova Constituição.
A resposta do almirante Aranda foi rápida.
"Eles pretendem manchar a instituição militar (ao) tramar um golpe quando as Forças Armadas respeitam o Estado de direito e as instituições existentes", disse o almirante.
Em meio a essas declarações, bloqueios de estradas isolaram La Paz do resto do país e a cidade ficou paralisada pela manifestação de milhares de pessoas que querem a nacionalização do setor energético.
A pressão sobre o presidente também está aumentando no oeste do país, uma das regiões mais ricas da Bolívia.
Em um desafio direto a Mesa, líderes locais convocaram um plebiscito para decidir sobre autonomia regional.
Eles querem ter mais influência sobre decisões locais e uma parcela maior da riqueza de gás e petróleo que fica dentro de sua província.