25 de maio, 2005 - 13h26 GMT (10h26 Brasília)
Mariana Timóteo da Costa
A organização Anistia Internacional está ampliando a sua área de atuação em países como o Brasil, segundo informações divulgadas pela organização nesta quarta-feira durante o lançamento de seu relatório anual em Londres.
"Estamos substituindo o conceito de lutar apenas pelos direitos humanos cívicos e políticos para procurar enfatizar os chamados direitos econômicos, sociais e culturais. O Brasil é um ótimo exemplo de como essas mudanças são necessárias e já estamos trabalhando em diversos projetos sociais no país", disse Tim Cahil, pesquisador para o Brasil da Anistia.
Cahil explica que a Anistia tradicionalmente luta pelos direitos humanos convencionais, cujas violações incluem falta de liberdade de expressão, tortura e pena de morte.
"Agora o que a Anistia está fazendo é tratar os direitos humanos de forma indivisível. Não adianta falar em liberdade civil quando as pessoas sofrem com falta de educação, pobreza, falta de acesso à saúde e à cultura. Por isso, nos próximos anos realizaremos vários trabalhos que unifiquem estes conceitos", diz Cahil.
Para o pesquisador da anistia, o fato de os abusos aos direitos humanos no Brasil estarem muito ligados a questões econômicas e sociais ("talvez como nenhum outro país no mundo") torna o trabalho da organização no Brasil especialmente interessante e desafiador.
"Os brasileiros têm uma visão negativa em relação aos direitos humanos, achando que defendê-los é o mesmo do que defender criminosos em cadeias ou nas ruas. Nossa prioridade é lutar para que a população entenda que as desigualdades sociais e econômicas também correspondem a desrespeito dos direitos humanos", diz Cahil.
A Anistia Internacional afirma ainda que o governo pode fazer mais contra o crime e a tortura, mas também cabe à população pressionar mais as autoridades.
"É um ciclo. Pessoas com melhores condições exigem mais de seus governantes", diz Cahil.
O pesquisador da Anistia elogia os projetos sociais no Brasil, como o do governo Lula de combater a fome, mas aconselha as autoridades a olharem para os direitos humanos no país como um todo.
"Não adianta combater a fome e não a corrupção na polícia, por exemplo".