25 de maio, 2005 - 14h52 GMT (11h52 Brasília)
Adriana Stock
enviada especial a Seul
Em um discurso em Seul para uma platéia de representantes da comunidade de brasileiros que vive na Coréia do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que "o Brasil está cansado de ser chamado de país em desenvolvimento".
"Todo mundo sabe que o Brasil tomou a decisão de se transformar em uma grande nação", afirmou o presidente, que está visitando o país.
"Nós sabemos que isso não é rápido. Nós sabemos que essas coisas não acontecem em um ano, quatro anos, cinco anos, mas resolvemos apostar nas medidas corretas para que o Brasil dê passos progressivamente."
O presidente disse que é por isso que o governo brasileiro está com uma política de comércio exterior "mais agressiva" se aproximando mais dos países da África, do Oriente Médio e da Ásia.
Afrodisíaco
Para ele, esses países, incluindo a Coréia do Sul, "precisam juntar-se para criar uma força política e econômica capaz de mudar a geografia mundial".
"Eu estou convencido de que o século 21 é o século do Brasil. Eu digo todo dia: se o século 19 foi da Europa, se o século 20 foi dos Estados Unidos, se o final do século 20 e início do 21 foram de alguns países asiáticos, como a Coréia (do Sul) e a China, podem ficar certos que nós não iremos jogar fora a oportunidade de transformar o Brasil em uma grande potência."
Juntamente com a primeira-dama Marisa Letícia, o presidente Lula recebeu dos membros da comunidade brasileira alguns presentes como máscaras tradicionais
sul-coreanas, um quadro com a fotografia de uma lula e uma caixa de ginseng coreano – o que provocou risos na platéia, já que a raiz tem poderes afrodisíacos.
"É uma fonte de energia. Acho que a gente precisa muito, senhor presidente", disse um representante da Associação Coréia-Brasil.
O último compromisso do presidente Lula em Seul foi um jantar com o presidente sul-coreano, Roh Moo-hyun.
Nesta quinta-feira pela manhã, ele embarca para o Japão.
A linha do discurso do presidente, porém, não deve mudar por lá: o Brasil quer impulsionar o comércio bilateral com os japoneses e firmar alianças estratégicas com o país.