20 de maio, 2005 - 23h05 GMT (20h05 Brasília)
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, defendeu o envio de mais tropas ao Haiti e a extensão da missão da entidade no país por um ano.
Num relatório ao Conselho de Segurança, Annan propõe aumentar o componente militar da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah, na sigla em inglês), cujo mandato expira no dia 1º de junho.
Atualmente a força liderada pelo general brasileiro Augusto Heleno Ribeiro conta com 6,7 mil tropas e Annan quer que esse número chegue a 7,5 mil.
No relatório, o secretário da ONU diz que o progresso feito nos 15 meses desde a destituição do ex-presidente Jean-Betrand Aristide "permanece frágil".
"Desafios importantes vêm pela frente à medida que a transição entra numa fase crucial", afirma Annan.
Ajuda estrangeira
O secretário também fez um apelo a doadoers internacionais que prometeram ajudar o Haiti no desarmamento de grupos armados e na estruturação de uma sociedade civil a acelerar as doações de recursos.
Annan cobrou do governo interino que assegure ampla participação da população no diálogo nacional e nas eleições previstas para novembro.
O trabalho da ONU no Haiti já foi criticado por organizações humanitárias, que apontam a lentidão no desarmamento de milícias atuantes no país.
Também são feitas críticas ao governo interino. A própria ONU já pediu explicações sobre a demora no julgamento de ex-integrantes do governo Aristide, muitos dos quais estão presos.
Enquanto isso ganham força os partidários do ex-presidente. Na quarta-feira, milhares de pessoas participaram de uma passeata pelas ruas da capital, Porto Príncipe, para pedir a volta de Aristide ao país. Ele está exilado na África do Sul.
Aristide deixou o Haiti em fevereiro de 2004, em meio a violentos protestos contra o seu governo.