16 de maio, 2005 - 16h24 GMT (13h24 Brasília)
Milhares de pessoas estão participando nesta segunda-feira de protestos na Bolívia pedindo a nacionalização total da indústria de energia do país.
Segundo o correspondente da BBC em La Paz Elliot Gotkine muitos dos manifestantes estão pedindo a renúncia do presidente Carlos Mesa.
De acordo com Gotkine, os manifestantes acreditam que a indústria de energia boliviana está sendo vendida para empresas internacionais a um preço muito baixo.
Um dos manifestantes carrega um cartaz com a imagem de Mesa e uma inscrição que diz que ele é um servo do imperialismo, numa referência aos Estados Unidos.
Riquezas
O correspondente da BBC afirma que os manifestantes dizem que as empresas multinacionais vendem, há anos, as riquezas naturais do país em seu próprio benefício, mas com poucos resultados para a população boliviana.
Na cidade satélite de El Alto, nos arredores de La Paz, os protestos têm a participação de homens, mulheres e crianças.
Muitas pessoas estão vestidas com as tradicionais roupas bolivianas.
Elas carregam a bandeira da Bolívia e também a bandeira dos povos indígenas, a wiphala.
Os protestos têm sido comuns na Bolívia nos últimos meses. Em março, os principais representantes da oposição na Bolívia assinaram um pacto para intensificar as mobilizações contra o governo do presidente Carlos Mesa.
A iniciativa reúne o Movimento ao Socialismo (MAS), liderado pelo deputado Evo Morales, que representa produtores de coca, a Central Operária Boliviana (COB) e entidades formadas por trabalhadores rurais e comunidades indígenas.
Eles querem que empresas estrangeiras paguem à Bolívia 50% em royalties pela exploração de gás e petróleo no país.
De acordo com Evo Morales, a mudança na Lei de Hidrocarbonetos é “inegociável” e precisa ser aceita pelo governo e pelo Congresso para que a Bolívia “recupere a propriedade desses recursos naturais”, descritos pelo líder da oposição como “patrimônio nacional”.