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12 de maio, 2005 - 11h29 GMT (08h29 Brasília)

Lucas Mendes
de Nova York

Tristeza no ar

No começo do ano, os aposentados da US Airways já tinham levado um calote nas suas pensões. Agora foi a vez da United Airlines.

A Justiça decidiu que a segunda maior empresa aérea americana também não precisa pagar as pensões de 134 mil aposentados. Era o cano ou a falência, disse a juíza.

A Delta Airlines, a terceira maior empresa aérea, perdeu US$ 5 bilhões no ano passado e as ações da empresa despencaram nesta semana, quando anunciou que vai perder outros bilhões neste ano.

Se a US Airways e a United conseguiram se livrar de uma conta de bilhões de dólares, por que a Delta e outras concorrentes não vão seguir o exemplo?

A fórmula é simples. A empresa entra em concordata e pede ao tribunal para transferir as pensões para o Tio Sam.

O pepino vai parar na PBGS, iniciais em inglês da Corporação de Garantia dos Benefícios de Pensão, uma agência criada pelo governo federal em 1974 e que, sem incluir os US$ 9 bilhões da United, já está num buraco de US$ 23 bilhões.

Nós, contribuintes, não podemos deixar uma agência do Tio Sam falir, mas ela não vai pagar as mesmas pensões.

Milhares de pilotos da United estavam aposentados com mais de US$ 100 mil por ano.

Agora eles vão receber no máximo US$ 45 mil. Uma comissária que trabalhou 30 anos e tinha uma aposentadoria de US$ 1,7 mil por mês vai receber US$ 800.

As empresas aéreas são vítimas da combinação de terrorismo, preço do petróleo e concorrência das menores, mas as companhias de aviação não são as únicas em crise nos Estados Unidos.

A GM e a Ford estão atoladas até o pescoço, em grande parte por causa de suas pensões e planos de saúde.

Se as companhias de avião podem dar o calote, por que não as de automóveis?

E as de aço, seguros, energia, etc. Bye bye pensão....