12 de maio, 2005 - 00h55 GMT (21h55 Brasília)
Diego Toledo
enviado especial a Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira, em entrevista coletiva, a maneira como a declaração final da Cúpula América do Sul-Países Árabes abordou o tema do combate ao terror.
De acordo com Lula, o documento seria antidemocrático se cada chefe de delegação presente ao encontro tivesse uma definição própria sobre terrorismo e agisse apenas em função do que pensa, sem ouvir a opinião de outros países.
“É por isso que nós estamos reivindicando mudanças nas Nações Unidas e democratização no Conselho de Segurança, para que as decisões sobre terrorismo e outros temas sejam democratizadas, não sejam uma decisão unilateral sobre a visão de terrorismo que tenha esse ou aquele país”, afirmou o presidente.
O discurso final de Lula na cúpula realizada em Brasília também incluiu comentários sobre terrorismo. Durante o pronunciamento, o presidente chegou a apontar a pobreza como uma das causas do problema.
“O equilíbrio dessa relação (entre árabes e sul-americanos) é a única possibilidade de permitir que cresçamos juntos, porque se apenas alguns crescerem, essa árvore poderá ser muito alta, mas os seus galhos serão frágeis e poderão quebrar com a falta de democracia e com o terrorismo existente por causa da má distribuição da riqueza produzida no planeta Terra”, disse o presidente.
Democracia
Durante a coletiva concedida após o encerramento da cúpula, Lula disse que a Declaração de Brasília “retrata a essência da aspiração de todos aqueles que amam a democracia”.
“Sempre que nós tivermos dúvidas sobre o comportamento de um grupo político ou de um país com relação ao desrespeito à democracia ou a práticas terroristas, nós temos que considerá-las coletivamente, e não individualmente”, acrescentou.
Lula também defendeu a declaração final da cúpula ao ser questionado sobre as poucas referências à palavra democracia no documento.
“Seria falta de democracia se nós tentássemos em um documento plural como esse definir o conceito de democracia que eu entendo, um documento sem respeitar o conceito de democracia dos outros”, disse o presidente.
“Essa é a condição elementar para que você possa construir um documento, que envolve trinta e poucos países com culturas totalmente diversificadas, com hábitos políticos diversificados”, acrescentou.
Anfitrião da cúpula, Lula disse que o texto da declaração incluiu o que era possível e que o documento é o resultado dos debates sobre os diversos assuntos abordados na reunião.
“Essa cúpula tem o sabor da construção de um alicerce muito forte para dar sustentação a um monumento de relações internacionais que acabamos de concluir com a aprovação da Declaração de Brasília”, afirmou o presidente.