10 de maio, 2005 - 12h25 GMT (09h25 Brasília)
Lucas Mendes
de Nova York
Acertei nos Oscars e no papa mas perdi nos cavalos de Kentucky. Mixaria. Era apenas mais um pretexto para me interessar pela corrida cujas histórias vão além dos cavalos.
A música faz parte do mais famoso derby americano. Antes do páreo, 160 mil pessoas se levantaram para cantar My Old Kentucky Home, o hino do Estado que na versão original dizia "os pretos estão felizes neste verão".
Na versão moderna, as pessoas estão felizes neste verão. Stephen Foster, o compositor, era um abolicionista engajado e libertou seus escravos muito antes da guerra civil.
A história da cultura popular americana começa com Stephen Foster, que entre mais de 200 músicas escreveu O! Susana e Swanee River.
Com 24 anos estava rico, mas aos 37 morreu miserável, solitário e alcoólatra em Nova York.
Teve uma infecção que começou com um corte no pescoço quando caiu num urinol público de porcelana.
Este ano o cavalo que venceu a corrida foi Giacomo, cujo nome é uma homenagem a um filho do músico Sting.
O dono do cavalo é Jerry Moss, um dos criadores da gravadora A&M Records. Ele comprou seu primeiro cavalo com dinheiro que ganhou com seu primeiro sucesso, Sergio Mendes, Brazil 66.
Os cavalos de Jerry Moss nunca tinham ganhado uma das grandes corridas americanas e Giacomo vinha de cinco derrotas consecutivas competindo com cavalos medíocres.
Em Kentucky era o penúltimo na lista dos favoritos, mas quem fez fé nele ganhou US$ 50 por cada US$ 1 apostado.
Nos 131 anos do derby de Kentucky, só um cavalo pagou mais, Donerail, em 1913: 91 por 1.
Pela vitória de Giacomo, Jerry Moss levou para casa US$ 1,6 milhão e isto não inclui o que ganhou apostando no próprio cavalo.
São as notas milionárias de Kentucky.