09 de maio, 2005 - 10h09 GMT (07h09 Brasília)
Jonathan Marcus
As cerimônias em Moscou que marcam os 60 anos do triunfo sobre o nazismo na Segunda Guerra Mundial são duplamente polêmicas, tanto em relação ao presente quanto ao passado.
A vitória sobre Hitler significa diferentes coisas para diferentes países. Os presidentes de Lituânia e Estônia, por exemplo, se recusaram a comparecer ao evento, que para eles também marca o começo da dominação pós-soviética sobre seus países.
Uma década atrás, na comemoração dos 50 anos da vitória aliada na Europa, as coisas pareciam mais fáceis.
A Guerra Fria tinha acabado de terminar. A União Soviética tinha entrado em colapso junto com boa parte do edifício ideológico do comunismo.
Novo começo
Nas comemorações dos 50 anos em Moscou, o então presidente americano, Bill Clinton, foi recebido por seu colega russo, Boris Yeltsin.
Para a Rússia, era um novo começo. A política externa russa parecia não existir, enquanto o país tentava aceitar o fim de seu status de grande potência.
Em certos círculos intelectuais, alguns viram o aparente triunfo da democracia liberal como o "fim da história".
Mas a história não terminou. Na verdade, a história tem mais importância do que nunca.
O presidente russo, Vladimir Putin, está lutando para recuperar parte do prestígio perdido por seu país.
Ele suspeita cada vez mais da ação de países ocidentais – principalmente dos Estados Unidos – em países que até há pouco tempo eram parte do quintal russo.
Putin viu a onda liberal se espalhar da Ucrânia até a Geórgia. Na Rússia, em contraste, a democracia parece mais frágil.
Quem está agora sob os holofotes é a Rússia. Mas qual Rússia?
A ditadura stalinista e de terríveis sacrifícios da época da guerra? Ou é a Rússia de Putin, que se situa de maneira desconfortável entre a democracia e o autoritarismo?