06 de maio, 2005 - 09h47 GMT (06h47 Brasília)
Terça-feira à noite, o Chelsea jogou contra o Liverpool, no campo deste último.
O Chelsea, além de ser parte do bairro em que moro, tem as camisas azuis e o Liverpool vermelhas.
Para mim, o azul é uma cor mais bonita que a vermelha, embora camisa vermelha me lembre o América, que sempre contou com minha simpatia, embora meu coração tenha sempre pertencido ao chamado “Glorioso”, ou seja, o Botafogo, que, neste ano, por uma extraordinária coincidência (embora eu não saiba com que tenha coincidido), completou 100 anos de existência.
O Chelsea perdeu por 1 a 0 com um gol danado de maroto que daria, nos meus bons tempos, em tremendo bate-boca em botequim, não sendo descartada a possibilidade de socos e pontapés.
Agora, o time milionário, que sofre o aconselhamento técnico de um popular português, José Mourinho, e padece das benesses financeiras de um multi-milionário russo, Roman Abramovich, está fora das finais que decidirão quem será o campeão da Liga dos Campeões europeus.
Em seu lugar, jogará a brava e endiabrada rapaziada do Liverpool.
Ninguém chama aqueles homens de “brava rapaziada”, mas assim invento para tornar a equipe mais interessante e me transportar a meu passado brasileiro, como se eu tivesse um e dele me lembrasse e sentisse falta ou qualquer coisa.
Ah, sim, um pequeno detalhe: em todos os times de futebol da Grã-Bretanha, entre jogadores, técnicos e donos, há apenas dois jogadores nascidos nestas ilhas: Wayne Rooney e um cabeçudo de sobrenome Owen, Michael, acho, que joga no Real Madrid.
Exagero, evidentemente. Mas futebol é feito exatamente para isso: para a gente exagerar.
Exagerar em tudo. Como um político prometendo coisas ao eleitorado.
E chego, finalmente, ao final do jogo, com os descontos já disputados.
Perdi. Perdi como o Chelsea. As eleições vieram, a campanha durou suas 4 semanas de praxe, os votos foram contados (ou ainda estão sendo; o sistema é simpaticamente antigão), os vencedores se sagraram vencedores e o povão, em casa e nas ruas, ao contrário do futebol, nem pensa o pior da mãe de um bandeirinha.
Eleição aqui falta um condimento qualquer, um fator extra.
Talvez, para voltar, se lá estive, à analogia com o futebol, talvez falte candidatos e eleitores imigrantes e asilados.
O nível só aumentaria. Esta é minha exclusiva opinião e de todos aqueles que discutiram – coitados! – a questão conforme a respectiva posição de cada partido.