03 de maio, 2005 - 08h55 GMT (05h55 Brasília)
Lucas Mendes
de Nova York
"Aumento neste momento é impossível, mas podemos dar uma reforçada na aposentadoria e nos planos de saúde."
Com estas promessas, prefeitos e governadores americanos evitavam dar aumentos imediatos para os funcionários públicos, mas as cidades e os Estados assumiam compromissos para o futuro.
Agora, da Califórnia a Nova York, prefeitos e governadores estão no vermelho, ameaçados por tsunamis fiscais.
O governador Arnold Swarzenegger tomou posse como salvador da Califórnia, prometendo eliminar ou reduzir as vantagens dos grupos de "interesses especiais".
Ele se referia aos funcionários públicos.
Descobriu que a realidade é diferente dos filmes de Hollywood.
Está perdendo a briga e caindo nas pesquisas.
Enquanto a maioria dos sindicatos americanos perdeu membros e influência, os do funcionalismo público ganharam força.
Só 11% dos empregados americanos trabalham para o governo.
Na maioria dos casos, são trabalhos burocráticos, banais e repetitivos, mas aquelas vantagens salariais e de benefícios a favor da indústria privada são coisas do passado.
Em Nova York, os funcionários públicos ganham, em média, 15% a mais do que na iniciativa privada.
Na classe do colarinho azul, gente envolvida em algum trabalho físico ou manual, a diferença a favor dos funcionários públicos é de 30%.
Entre professores, ela chega a 70%.
Tanto os planos de saúde como de aposentadoria, são muito melhores do que na iniciativa privada.
Os funcionários públicos, na maioria dos casos, param de trabalhar antes dos 65 anos e levam mais de 50% dos salários para casa. O Estado é mãe.
E, ao contrário das usinas de aço, empresas de aviação, outras que vão à falência e as pensões desaparecem, os barnabés jamais correm este risco.
Nós, os contribuintes, estamos aí para pagar a conta.