28 de abril, 2005 - 15h59 GMT (12h59 Brasília)
Caroline Karobia
de Nairóbi
O Parlamento do Quênia funcionou apenas 57 dias em todo o ano passado, segundo levantamento do Instituto para Assuntos Cívicos e de Desenvolvimento.
O estudo da entidade, que é do próprio Quênia, constatou que os outros dias foram desperdiçados. O Parlamento esteve em recesso enquanto o presidente do país, Mwai Kibaki, adiava a abertura.
O resultado do estudo foi publicado poucos dias depois da divulgação da notícia de que os parlamentares do país querem que a cobertura do plano de saúde deles seja reforçada para incluir duas mulheres e oito crianças.
Os parlamentares entrevistados pela BBC ficaram surpresos com os resultados do estudo, mas concordaram que eles poderiam trabalhar mais.
"Poderíamos aumentar a extensão da jornada. Somos bem pagos o suficiente para trabalhar mais do que 57 dias por ano", disse o parlamentar Jimmy Angwenyi.
De acordo com as regras, o Parlamento só se reúne nas tardes de terças e quintas-feiras e todo o dia nas quartas-feiras.
Isso corresponde a dois dias por semana, mas 57 dias por ano significam uma média de pouco mais de um dia por semana.
Mulheres
Segundo o levantamento, menos projetos foram debatidos em 2004 em comparação aos dois anos anteriores.
As sessões do Parlamento no ano passado foram dominadas por debates orçamentários e presidenciais em detrimento de outros assuntos, segundo o instituto.
O estudo também dá notas para cada parlamentar e concluiu que o desempenho daqueles que são ministros é medíocre.
Os ministros são acusados de delegar suas obrigações a seus subordinados que, segundo o relatório, trabalham demais no Parlamento.
As mulheres que são ministras têm melhor desempenho do que os homens nesses cargos, de acordo com o estudo.
Novas regras
O porta-voz do Parlamento do Quênia, Micheal Ngwalla, disse que essa não é a verdadeira imagem da instituição.
"É incorreto interpretar o relatório como se dissesse que os parlamentares não trabalham. O trabalho deles não está restrito ao plenário da Casa", disse.
"As Comissões consomem muito tempo e avaliam quase todos os projetos."
Gideon Ochanda, do instituto que fez o estudo, concorda que os resultados não incluem a participação dos parlamentares nas Comissões.
O estudo recomenda que sejam alteradas as regras do Parlamento para permitir que seus integrantes tenham melhor desempenho.