24 de abril, 2005 - 18h02 GMT (15h02 Brasília)
Marcelo Torres
de Londres
O presidente destituído do Equador, Lucio Gutiérrez, chegou por volta das 13h30 deste domingo (horário local) à base aérea de Brasília.
Gutiérrez estava acompanhado da mulher, Ximena Bohórquez, e da filha Viviana Estefania, de 15 anos.
Uma filha mais velha, que faz parte do exército equatoriano, decidiu permanecer no país.
De acordo com o Ministério da Justiça, entretanto, o pedido de visto territorial deverá incluir toda a família.
Hotel
De acordo com a assessoria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores, o ex-presidente aparentava cansaço na chegada.
Ele deve permanecer temporariamente num hotel de trânsito num clube do Exército.
As despesas com esse hotel e com o vôo foram bancadas pelo governo do Brasil.
Mas, de acordo com o Ministério da Justiça, de agora em diante, Gutiérrez terá que se manter com recursos próprios.
Ainda nesta semana, ele deve fazer o pedido formal de visto territorial - uma formalidade nos casos de asilo político - ao Ministério da Justiça.
Entre as condições para a concessão do visto está a interrupção de qualquer tipo de atividade política, seja envolvendo assuntos brasileiros ou de outros países, incluindo o Equador.
A segurança de Gutiérrez e da família deverá ficar por conta da Polícia Federal, que também vai monitorar o ex-presidente para checar o cumprimento do acordo.
Sempre que quiser sair do país, ele deverá pedir autorização ao Ministério da Justiça.
Ainda não é certo se o ex-presidente passará a viver em Brasília.
O Ministério da Justiça diz que, assim que o asilo for concedido, Gutiérrez poderá viver e trabalhar em qualquer cidade brasileira.
Esquerdista
Gutiérrez assumiu o poder como esquerdista há mais de dois anos, mas perdeu o apoio de seus partidários indígenas ao implementar políticas de livre mercado.
Sua tentativa de dissolver a Suprema Corte provocou grandes protestos contra o governo.
Depois de semanas de violentas manifestações exigindo sua remoção do cargo, o presidente do Equador foi deposto em votação unânime pelo Congresso.
Gutiérrez disse que sua remoção do cargo foi "inconstitucional" e que "nunca abandonou" seu posto.
Na noite de quarta-feira, o Exército, que retirou o apoio ao ex-presidente, chegou a fechar o aeroporto para impedir que ele deixasse o país.