22 de abril, 2005 - 13h11 GMT (10h11 Brasília)
Um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) que se prepara para buscar em Quito o presidente destituído do Equador, Lucio Gutiérrez, decolou do aeroporto de Rio Branco, no Acre, e pousou em Porto Velho (Rondônia).
As autoridades brasileiras aguardam autorização do governo do Equador para que o avião possa entrar em seu espaço aéreo.
De acordo com vários relatos na mídia brasileira, o avião partiu com destino a Quito, mas acabou voltando para o Brasil depois de ter negado o pedido para pousar no Equador.
Os relatos chegaram a dizer que o avião sobrevoou o Equador.
A Aeronáutica anunciou, no entanto, que o vôo não tinha como objetivo pousar no Equador.
Segundo os militares brasileiros, o avião deixou o aeroporto civil de Rio Branco e seguiu para Rondônia porque lá ele está em uma base militar com "melhores condições de apoio e infra-estrutura".
Salvo-conduto
Gutiérrez, destituído do cargo na quarta-feira, aguarda nesta sexta-feira a concessão de um salvo-conduto pelas autoridades equatorianas para poder deixar o país rumo ao Brasil.
Ele está na embaixada brasileira em Quito cercado por manifestantes que exigem a sua prisão.
O governo brasileiro concedeu asilo político a Gutiérrez, mas ainda negocia com o novo presidente, Alfredo Palacio, o salvo-conduto para que ele possa sair da embaixada sem ser preso.
Segundo o site da rádio equatoriana CRE Satelital, o novo ministro das Relações Exteriores do Equador, Antonio Parra, confirmou que o governo vai conceder o salvo-conduto.
Parra explicou que a decisão teria sido tomada de acordo com a Convenção Internacional para Asilo Diplomático.
"Claro, o Equador tem que fazer isso", disse Parra, de acordo com o site da rádio equatoriana.
Apesar das declarações do chanceler, outras autoridades equatorianas dizem que o pedido de salvo-conduto ainda está sendo estudado.
Preço político
Alguns analistas políticos dizem que o novo governo do Equador teme o preço político de autorizar a saída do ex-presidente, já que uma considerável parcela da população quer ver Gutiérrez julgado por suposto abuso de poder.
Dezenas de manifestantes no Equador realizam manifestação exigindo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conceda o benefício a Gutiérrez, diz a rádio CRE Satelital.
"Lula, amigo, não lhe dê asilo!", gritam os manifestantes, segundo a emissora.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, integrará uma missão da Comunidade Sul-Americana de Nações que viajará para o Equador a fim de participar das negociações para a resolução da crise política do país.
A crise, que levou à destituição de Gutiérrez, começou com a reestruturação da Suprema Corte, em dezembro.
Os partidos da oposição acusam Gutiérrez, um ex-coronel, de buscar poderes ditatoriais por demitir os juízes do tribunal e substituí-los com aliados seus, em dezembro.
Na época, congressistas aliados do presidente Gutiérrez destituíram a Suprema Corte anterior e indicaram novos juízes.
A indicação gerou fortes protestos, que cresceram quando os juízes anularam os processos contra os ex-presidentes equatorianos Abdalá Bucaram e Gustavo Noboa e o ex-vice-presidente Alberto Dahik.
Na última sexta-feira, Gutiérrez anunciou a dissolução do tribunal, provocando novas acusações da oposição.
Gutiérrez, de 48 anos, estava no poder desde janeiro de 2003, após ter sido eleito no ano anterior.