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21 de abril, 2005 - 10h03 GMT (07h03 Brasília)

Lucas Mendes
de Nova York

A cor da Bola

Nos Estados Unidos, o argentino Leandro Desábato, depois de responder a processo, entraria para a seleção dos oblívios. Dificilmente veria a cor da bola num time profissional.

Ainda há torcedores e jogadores racistas nos Estados Unidos, mas o racismo não entra em campo nem nas torcidas. No esporte, a agressão racial está em fase agonizante.

Negro americano no nosso futebol, o soccer, ainda é minoria mas, semana passada, a seleção dos Estados Unidos entrou em campo com cinco negros, um número recorde.

É só uma questão de tempo e os negros americanos serão maioria nos times de soccer, como já dominam os outros grandes esportes e crescem no tênis e no golfe. Dos coletivos, o hockey é o último esporte branco.

Entre o negro americano e o soccer há três obstáculos: não há campos nas áreas mais pobres das cidades onde moram os negros, culturalmente ainda é considerado esporte de branco e participar de um time num bom clube pode custar até US$ 5 mil por ano.

Esta semana muitos dos dramas e as paixões do nosso futebol estão em cartaz nas telas americanas. O filme Hooligan, sobre as violentas torcidas inglesas, estréia no festival de Tribeca em Nova York.

Outro filme, The Game of Their Lives, é sobre um jogo da Copa do Mundo em Belo Horizonte quando os americanos venceram os ingleses, numa das maiores zebras da história do futebol.

The Goal é um filme produzido por Spike Lee, com elementos raciais, sobre uma estrela brasileira que joga nos Estados Unidos.

Tantos filmes sobre futebol não significa que o esporte tenha conquistado Hollywood. Um dos maiores sucessos da temporada é Fever Pitch, sobre um torcedor apaixonado por um time de beisebol, o Red Sox, de Boston.

Na versão original do consagrado escritor Nick Hornby, e depois no filme, o time é o Arsenal de Londres. Mas Hollywood acha que a massa americana ainda não está pronta para o futebol.