13 de abril, 2005 - 04h47 GMT (01h47 Brasília)
Michael Voss
de Nova York
Integrantes do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), liderados pelo embaixador brasileiro na ONU, Ronaldo Sardenberg, iniciam nesta quarta-feira uma missão de quatro dias no Haiti.
O objetivo da visita é reunir esforços para melhorar a segurança e a economia do país caribenho. Trata-se da primeira visita do conselho ao Haiti - uma indicação de como o país continua instável mais de um ano depois da queda do presidente Jean-Bertrand Aristide.
Mesmo com a presença de mais de 7,5 mil soldados da ONU, liderados pelo Brasil, gangues armadas continuam aterrorizando as ruas, a economia do Haiti encontra-se aruinada e o suprimento de comida é bastante difícil.
"A situação no país é precária. Os níveis de desemprego são inimagináveis para qualquer lugar. Cerca de 85% dos haitianos estão desempregados. Isso só aumenta a gravidade e o perigo da situação", disse Sardenberg à BBC Brasil, nesta terça-feira, em Nova York.
O embaixador ressaltou a necessidade de um projeto a longo prazo para o desenvolvimento do Haiti - como o que já foi aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU.
Juntamente com questões como segurança, desarmamento e direitos humanos, o Conselho de Segurança também vai tentar encontrar formas de criar um plano de desenvolvimento econômico para o país.
Até agora, menos de 20% do dinheiro prometido por doadores no ano passado chegou ao país.
Recentemente, um enviado da ONU ao país declarou que, sem essa ajuda, o Haiti enfrentaria a destruição.
O mandato de seis meses da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah) vence no fim de maio.
Segundo Sardenberg, pela primeira vez o conselho vem mostrando um interesse político na região.