10 de abril, 2005 - 04h33 GMT (01h33 Brasília)
Denize Bacoccina
de Washington
A América Latina deve crescer entre 4% e 4,5% este ano, depois da expansão de 5,5% no ano passado – a maior em duas décadas – de acordo com a previsão do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
“Há sinais positivos e preocupações também”, afirmou o presidente do BID, Enrique Iglesias, numa entrevista coletiva em Washington, antes de seguir para a reunião anual da instituição, que este ano acontece em Okinawa, no Japão.
O sinal positivo, segundo Iglesias, é que continua a bonança na economia internacional, da qual a região é fortemente dependente.
Por outro lado há preocupações sobre o que vai acontecer com a taxa de juros nos países desenvolvidos, com o preço das commodities, com o ajuste das economias dos países industrializados e com o futuro da China.
Crescimento maior
O crescimento de 5,5% no ano passado foi superior à previsão do BID, que no encontro anual do ano passado projetou uma expansão de 4%.
O banco também mostrava preocupação com as perspectivas de longo prazo, mas neste ano Iglesias parecia mais otimista.
“Espero que agora estejamos entrando numa etapa mais sustentada. Cometemos erros e acertos e aprendemos muito. Há uma maior maturidade na condução da política econômica na América Latina”, afirmou.
Ele citou ainda como aspectos positivos o fato de que a maioria dos países da região está implementando políticas macroeconômicas e monetárias consideradas sensatas pelos organismos internacionais, com câmbio flexível.
“Isso me faz pensar que se a conjuntura econômica não mudar de forma abrupta, a economia latino-americana poderá ter um período de crescimento maior do que um ano”, afirmou.
O banco alerta, no entanto, que ainda há vulnerabilidades, e que apesar da melhora da situação fiscal, muitos países ainda têm uma dívida pública bastante elevada. O desemprego e a pobreza também melhoraram no ano passado, mas apenas ligeiramente.
A maturidade das economias da região, segundo ele, pode ser comprovada pelo fato de que Brasil, México e Colômbia fizeram em 2004 captações de recursos no mercado com papéis em moeda local.
No ano passado, o BID concedeu mais de US$ 6 bilhões em empréstimos para obras, principalmente de infra-estrutura e desenvolvimento, na região.
Metade desse volume foi destinado a projetos sociais, e 42% deles para programa diretos ligados à redução da pobreza.
“Há 11 anos o BID é a principal fonte de financiamento multilateral da região”, afirmou Iglesias.
Para o Brasil, o banco aprovou no ano passado 12 financiamentos, uma garantia e dois empréstimos de fundos multilaterais, num total de US$ 2,6 bilhões.