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08 de abril, 2005 - 21h33 GMT (18h33 Brasília)

Edson Porto
enviado especial a Roma

Lula 'aprendeu' com pregações políticas do papa

Depois de participar do funeral do papa João Paulo 2º ao lado do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ter aprendido com as “pregações políticas” do pontífice.

“O fato do Brasil ter conseguido colocar no mesmo momento e na mesma hora um presidente e três ex-presidentes da República, mais o presidente do Supremo Tribunal Federal, mais o presidente da Câmara dos Deputados e o presidente do Senado demonstra que nos aprendemos as lições e pregações políticas do papa.”

A comitiva de Lula era composta por Severino Cavalcanti, a primeira-dama, Dona Marisa, o presidente do Senado, Renan Calheiros, do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, além dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e José Sarney.

Em Roma, Lula ficou hospedado na residência oficial do embaixador brasileiro, o ex-presidente Itamar Franco.

História

“Conseguimos tirar as nossas diferenças, sentarmos no mesmo lugar, viajarmos no mesmo avião e provar que nós somos capazes de sermos civilizados na política quando queremos ser civilizados na política”, disse o presidente, ainda falando sobre os seus companheiros de viagem.

Para Lula, o funeral de João Paulo foi um exemplo da boa convivência que o papa pregou ao longo da vida.

“Eu creio que a humanidade assistiu hoje (sexta-feira) à consagração de toda a pregação histórica do papa. Eu não conheço outro momento na história em que a prepresentatividade política e religiosa estava tão plural e representativa.”

Lula destacou ainda o fato de o enterro ter reunido rivais políticos no cenário internacional e a presença de líderes de muitas religiões como outro exemplo das lições do papa.

O presidente contou ainda que teve que pedir para o fotógrafo do colega
francês Jacques Chirac para fazer uma foto dele ao lado dos três ex-presidentes Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e José Sarney.

“Não sei em que momento da história do Brasil se conseguiu juntar quatro presidentes (...) Eu fui pedir para o fotógrafo do Chirac tirar uma fotografia nossa. Para que a gente tenha isso como recordação, como história.”

Sobre a possibilidade de que dom Claudio Hummes se torne o novo papa, Lula disse que não queria dar palpite, mas afirmou “que seria o mais feliz dos seres humanos” se ele fosse eleito.

Em relação à cerimônia do enterro, Lula disse que se emocionou.

“Senti o que a maioria das pessoas sentiram. Esse homem, mesmo quando as pessoas discordavam dele, tinha o que as pessoas precisavam ter, um pouco de ousadia (...) muita tolerância, muita perseverança e conduziu a nossa mente, consciente e inconsciente para compreender que tinha valido a pena o que ele fez.”