07 de abril, 2005 - 14h08 GMT (11h08 Brasília)
O testamento do papa João Paulo 2º, divulgado nesta quinta-feira, confirma que ele pensou em renunciar no ano 2000 - o ano que marcou o início do novo milênio e também em que João Paulo 2º completou 80 anos de idade.
O texto também revela que o papa cogitou pedir para ser enterrado na Polônia. Mais tarde, porém, decidiu delegar esta decisão ao colégio de cardeais.
O prefeito de Roma determinou o fechamento das portas da Basílica de São Pedro, no Vaticano, onde milhares de pessoas nos últimos dias foram ver o corpo do sumo pontífice.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está viajando para Roma para acompanhar o funeral e deve chegar à capital italiana ainda nesta quinta-feira.
Despedida
“No ano em que minha idade chega aos 80 anos, é preciso questionar se não é o tempo de repetir com o bíblico Simeão: Nunc dimittis”, diz o testamento.
No Evangelho de São Lucas, o velho Simeão, após ver o Menino Jesus, declama o que é interpretado como um cântigo de despedida, entoado porque ele considerava que já havia visto a salvação (e que inclui o trecho, em latim, com nunc dimittis servum tuum, Domine, que pode ser traduzido como “despedes agora o teu servo, Senhor”).
“Eu espero que Deus me ajude a saber por quanto tempo eu devo continuar este trabalho, para o qual me chamou no dia 16 de outubro de 1978”, continuou, no trecho escrito na virada do milênio.
João Paulo 2º diz ainda no documento que o século 20 foi “difícil”, mas agradece à Divina Providência que “o período da chamada Guerra Fria terminou sem o violento conflito nuclear, cujo perigo pesava sobre o mundo”.
Perdão
O testamento foi escrito no decorrer do pontificado de João Paulo 2º.
O papa deixou instruções para que seus apontamentos pessoais fossem queimados, e o testamento diz que ele não deixou bens materiais.
João Paulo 2º agradece ainda ao mundo inteiro e às outras religiões pelo apoio que recebeu durante sua vida.
“A todos peço perdão”, escreveu ainda o papa no testamento, orando também para que “a Misericórdia de Deus se mostre maior do que minha fraqueza e indignidade”.