07 de abril, 2005 - 21h12 GMT (18h12 Brasília)
Paulo Cabral
do Cairo
O atentado a bomba desta quinta-feira no Cairo ocorre num momento delicado da política egípcia, depois de várias manifestações contra o governo, e atinge um dos setores mais importantes da economia, o turismo.
Nas últimas semanas, atos públicos vêm ocorrendo com maior ousadia e freqüência do que o habitual.
Os últimos protestos foram associados à Irmandade Islâmica, um grupo semi-clandestino – proibido de atuar como partido político, mas ainda tolerado como uma organização religiosa.
Recentemente, o presidente Hosni Mubarak teve de ceder à pressão da oposição e propôs uma emenda constitucional permitindo a participação de mais candidatos à presidência nas eleições deste ano.
Ninguém acredita, no entanto, que haja grandes possibilidades de Mubarak perder o cargo que detém há 24 anos.
Muitos grupos islâmicos também atacam o governo egípcio por ser um dos dois únicos países árabes – o outro é a Jordânia – a ter um tratado de paz com Israel.
Turismo
No ano passado, o Egito registrou um número recorde de mais de 7,5 milhões de visitantes, e uma receita de US$ 6,1 bilhões com o turismo.
Alvos freqüentados por estrangeiros foram os preferidos nos poucos ataques ocorridos no país nos últimos anos.
Em outubro do ano passado, uma série de atentados a bomba em hotéis freqüentados por israelenses na costa da península do Sinai deixou 34 mortos.
O último atentado na capital havia acontecido em 1997, quando atiradores dispararam metralhadoras conta um ônibus de turismo estacionado na frente do Museu Egípcio. Foram mortos 12 turistas, principalmente alemães.
A polícia cercou a área em torno do local da mesquita de Al-Azhar para iniciar as investigações. Nenhum grupo assumiu ainda a autoria do atentado.
O complexo que inclui a mesquita e a universidade islâmica de Al-Azhar é um dos principais centros de muçulmanos sunitas no mundo.
Também fica perto dali o Khan El-Khalili, um dos mais famosos mercados no roteiro turístico do mundo árabe.