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07 de abril, 2005 - 13h15 GMT (10h15 Brasília)

Ônibus volta a circular entre Índia e Paquistão após 50 anos

Uma linha de ônibus entre as regiões indiana e paquistanesa da Caxemira que havia sido interditada por mais de 50 anos voltou a operar nesta quinta-feira.

Um ônibus com 30 pessoas vindas da região paquistanesa da Caxemira cruzou a linha de controle que separa a região da área administrada pela Índia.

Pouco depois, um ônibus com passageiros provenientes da Caxemira indiana entrou na área paquistanesa.

A região, no Himalaia, foi dividida entre Índia e Paquistão em 1947.

Reencontro

Famílias que foram separadas desde então aproveitaram a ocasião para cruzar a ponte Kaman, de 67 metros, e que separa a chamada linha de controle entre as duas áreas da Caxemira.

Até dois anos atrás, a fronteira da linha de controle foi cena de trocas de tiros entre tropas da Índia e do Paquistão.

Agora, os moradores dos diferentes setores da Caxemira foram recebidos do outro lado por governantes e com músicas entoadas por bandas militares.

Centenas de pessoas se reuniram para saudar os passageiros que partiram da Caxemira paquistanesa, entre eles o primeiro-ministro da região administrada pelo Paquistão, Sardar Sikandar Hayat.

Hayat disse que o evento marcava o início de uma nova era no sul da Ásia e agradeceu ao presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, e ao primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh.

Segurança

A segurança em ambos os lados da linha de controle foi reforçada, após um atentado cometido por militantes na última quarta-feira em Srinagar, capital da região indiana da Caxemira, contra passageiros do ônibus que cruzaria a fronteira.

Os militantes lançaram granadas contra os passageiros, que se encontravam dentro de um edifício, por motivos de segurança.

O edifício pegou fogo, mas os passageiros conseguiram escapar ilesos. Dois dos ativistas foram mortos por disparos feitos por policiais.

O premiê indiano, Manmohan Singh, disse que a linha de ônibus representava "uma caravana da paz".

Mais de dez grupos separatistas baseados em território paquistanês vêm lutando para que a Caxemira se torne independente da Índia ou que seja incorporada ao Paquistão.

O conflito na região já teria feito cerca de 66 mil mortos, em sua maioria civis.