03 de abril, 2005 - 13h19 GMT (10h19 Brasília)
Sônia Ambrósio
de Cingapura
Milhares de fiéis nas Filipinas, o único país de maioria católica na Ásia, prestaram homenagens ao papa João Paulo 2º.
"O mundo perdeu a ponte espiritual entre as nações", disse a presidente do país, Gloria Arroyo, uma católica devota, sobre a morte de João Paulo 2º.
Quase 70 milhões de filipinos, 80% da população, seguem a Igreja Católica Romana. A religião foi introduzida no século 16 pelos espanhóis.
Outros países asiáticos, como Cingapura, Coréia do Sul e Índia, onde uma minoria da população também é seguidora do catolicismo, missas especiais foram programadas para este domingo.
Na China, no entanto, os católicos são proibidos de reconhecer a autoridade do Vaticano. Para o governo chinês, as igrejas devem ser controladas pelo Estado.
Democracia
Os fiéis filipinos têm imenso carinho pelo papa João Paulo 2º. Ele visitou as Filipinas em 1981 e 1995.
Na segunda visita, cerca de 5 milhões de fiéis saíram às ruas para dar as boas vindas e receber a bênção do papa.
Observadores nas Filipinas acreditam que a multidão foi a maior já registrada em visitas papais.
Na visita de 1981, durante o regime do ditador Ferdinando Marcos, o papa falou sobre democracia e condenou os abusos de direitos humanos cometidos pelo governo filipino.
Analistas dizem que aquela foi a primeira vez que um líder, político ou religioso, fez comentários diretos sobre a situação política nas Filipinas.
Segundo eles, as observações do papa em 1981 semearam as raízes para a primeira revolta popular que culminou com a saída forçada de Ferdinando Marcos do governo.
Os analistas acreditam também que foi durante a primeira visita do papa que a Igreja Católica Filipina passou a ter uma agenda no país.