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31 de março, 2005 - 19h58 GMT (16h58 Brasília)

Denize Bacoccina
enviada especial a Naco, México

Imigrantes mexicanos temem violência de vigilantes americanos

Um dia antes da entrada em vigor do Projeto Minuteman - que conta com civis americanos patrulhando o deserto do Arizona para encontrar e reportar à guarda fronteiriça imigrantes ilegais - o clima é de apreensão do lado mexicano.

Mexicanos que pretendem passar para o lado americano temem a presença de civis armados – é legal portar pistolas no Estado do Arizona – o que poderia aumentar a violência na fronteira. Eles dizem que hoje, de uma maneira geral, são bem tratados pelos guardas.

“Desde que a gente obedeça, eles não fazem nada”, conta a dona de casa mexicana Claudia Mendonza, que viajou quase 3 mil quilômetros do interior do país e há 20 dias espera com dois amigos em Naco, no México, a oportunidade de passar para Naco, Arizona. Ela já tentou a travessia seis vezes, e em todas foi pega pelos guardas e mandada de volta para o México.

Nicolasio Campos Rodrigues e Francisco de Rovera, que tentam a travessia com Claudia, temem que tudo mude com a presença dos vigilantes do Minuteman.

Medo

O mexicano Trini León, que vive na Naco mexicana, também é contra os vigilantes. “Isto está errado. Esse é o trabalho das autoridades. Os cidadãos comuns não têm que fazer isso”, reclama.

O Projeto Minuteman – cujo nome deriva dos soldados da guerra da independência dos Estados Unidos, que deveriam estar prontos para combate em um minuto – entra em vigor nesta sexta-feira, com o objetivo de chamar a atenção das autoridades americanas para a vulnerabilidade da fronteira com o México e para a necessidade de aumentar o policiamento na fronteira.

O trabalho deles, segundo Al Garza, um dos organizadores do grupo na cidade de Tombstone, no Arizona, é avistar os imigrantes que cruzam o deserto e telefonar para a guarda fronteiriça, que viria então prendê-los. Ele diz que a organização está orientando os voluntários para não usar armas no trabalho.

Na quarta-feira, o governo americano anunciou que vai enviar mais 500 agentes para a fronteira do Arizona, 155 deles começarão a trabalhar imediatamente e os outros ao longo do ano. Outros 200 policiais serão destacados para atuar no Estado nos próximos meses, considerados época de pico de imigração. Atualmente a região conta com 2.170 agentes.