29 de março, 2005 - 09h59 GMT (06h59 Brasília)
Lucas Mendes
de Nova York
Terri Schiavo é uma tragédia pessoal que se tansformou em uma briga de familia, dividiu a Flórida, repicou pelos tribunais estaduais e federais, mexeu com o país e envolveu o Congresso, a Casa Branca e até o Vaticano.
A opinião pública foi clara.
Num choque para os políticos conservadores e a direita cristã, entre 60% e 70% dos americanos foram a favor da remoção dos tubos e contra a politização do problema.
Os tubos não vão voltar, mas é impossível desligar os políticos desta questão.
A inevitável morte de Terri Schiavo já ressuscitou o debate em várias legislaturas estaduais e no próprio Congresso sobre quem decide quando termina a vida.
Leis
Hoje só três Estados – Texas, Virginia e Califórnia – têm leis que permitem que os médicos suspendam o tratamento de um doente contra vontade da família.
A lei do Texas, assinada pelo então governador George W. Bush em 1999, é a mais clara delas.
Ela permite que os médicos desliguem os tubos desde que haja aprovação de uma comissão de ética.
Depois da decisão da comissão, a família ainda tem dez dias para procurar um hospital disposto a manter o paciente vivo.
O Vaticano se manifestou a favor da manutenção dos tubos que sustentavam Terri, embora o próprio papa João Paulo 2º, em 1998, tenha dito em Viena que a Igreja é contra recursos extraordinários para prolongar a vida.
Na mesma pregação, o papa foi contra apressar a morte desligando a tomada.
Ou seja, ele não ofereceu uma solução clara e neste momento deve estar refletindo sobre a extensão da sua própria existência.
A morte de Terri Schiavo tão cedo não dará descanso aos vivos.