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29 de março, 2005 - 08h27 GMT (05h27 Brasília)

Peter Bowes
de Santa Maria

Casos anteriores podem mostrar 'propensão' de Jackson a abuso infantil, dizem especialistas

Os advogados da acusação no julgamento do cantor Michael Jackson estão construindo uma argumentação em torno da teoria de que o artista é um "pedófilo em série".

Na audiência da segunda-feira, o promotor Tom Sneddon argumentou, com sucesso, que o júri deveria ser informado de pelo menos dois casos dos anos 90 em que o cantor foi acusado de abusar sexualmente de meninos.

O mais conhecido desses casos envolvia Jordan Chandler, que dizia ter sido abusado pelo pop star em 1993. A disputa foi resolvida fora dos tribunais.

Jackson negou veementemente ter tido qualquer comportamento impróprio e justificou o pagamento de uma "considerável soma de dinheiro" para evitar ser submetido a um "circo da mídia".

Relatos não confirmados indicam que o acordo, que incluía uma cláusula determinando que nenhuma das partes discutiria o processo em público, envolveu o pagamento de US$ 26 milhões. Nenhuma acusação formal foi apresentada.

'Propensão'

No entanto, documentos apresentados como uma declaração assinada por Jordan Chandler sob juramento e um relato dos supostos contatos sexuais foram parar na internet.

As leis da Califórnia permitem a apresentação de provas de supostos atos de abuso sexual mesmo que eles não tenham sido julgados na época do ocorrido.

O fato de que uma suposta vítima tenha quebrado a confidencialidade prevista no acordo não o proíbe de testemunhar em um caso criminal.

Especialistas na legislação americana afirmam que, se a acusação puder ter acesso a essas provas, as suas chances de condenar Michael Jackson aumentam de forma considerável.

"Testemunhos desse tipo são frequentemente descritos como prova de propensão", diz a advogada Gloria Allred, que representou Jordan Chandler em 1993.

Segundo Allred, a lei permite que o tribunal considere a possibilidade de o réu ter "uma propensão a cometer atos de abuso sexual infantil".

A acusação vai usar essas provas para amparar e dar credibilidade à acusação de Gavin Arvizo de que ele foi molestado pelo cantor em 2003.

Os advogados da família Arvizo vão tentar expor semelhanças entre a natureza das atuais alegações e as de uma década atrás.

O juiz Rodney Melville admitiu que teve dificuldades para tomar a decisão de permitir o uso de provas de casos anteriores.

Ele disse ao júri que havia presidido um outro julgamento em que permitiu que o júri ouvisse as acusações prévias e acabou descobrindo que elas eram muito mais sérias do que as que estavam em questão naquele julgamento.

Segundo Melville, a visão do júri ficou comprometida, e o julgamento foi invalidado.