25 de março, 2005 - 22h58 GMT (19h58 Brasília)
Denize Bacoccina
de Washington
O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirma em seu relatório anual sobre o Brasil que a economia teve uma “transformação significativa” nos últimos dois anos, graças às políticas macroeconômicas adotadas pelo governo no período de vigência do acordo que acaba no dia 31 deste mês.
Mas a instituição também diz que a dívida pública continua elevada e que o governo “precisa perseverar com as reformas estruturais para garantir as perspectivas de crescimento de longo prazo, essencial para lidar para a persistente pobreza e desigualdade”.
O documento, divulgado nesta sexta-feira, repete muitos dos elogios feitos na décima e última revisão do atual programa que o Brasil tem com o Fundo, no início da semana, mas diz que o país ainda tem “vulnerabilidades e desafios”.
O relatório anual é uma avaliação feita periodicamente pelo conselho de diretores do FMI sobre todos os países-membros, credores ou devedores.
O relatório diz que o sistema de metas de inflação e de câmbio flexível funcionou bem nos últimos anos e elogia a habilidade das autoridades na condução da política monetária. A instituição considera que, diante dos choques de oferta do último ano, a redução da inflação para dentro da meta foi uma grande conquista.
Inflação
O desafio, diz a avaliação dos diretores do Fundo, é reduzir a inflação ao mesmo tempo em que reduz o impacto no crescimento. Os diretores do Fundo também defenderam a autonomia do Banco Central.
“A eficácia da política monetária seria ampliada com a aprovação da lei concedendo autonomia operacional completa ao banco central”, diz o documento.
Há elogios também à estratégia do Banco Central de aproveitar a valorização do real para ampliar as reservas em dólar.
O documento também diz que o crescimento econômico atual oferece uma oportunidade favorável para atacar os problemas estruturais da economia e reduzir a pobreza e a desigualdade. “Um progresso substancial foi feito nos últimos anos, mas uma rigidez estrutural e gargalos continuam a restringir o potencial de crescimento do Brasil”, afirmam os diretores do Fundo.
Entre os pontos mais importantes para o futuro, o documento cita as reformas, incluindo a autonomia do Banco Central, a reforma do ICMS e outras medidas para melhorar o ambiente para as empresas.
Outras reformas importantes, na avaliação do FMI, são o aumento da flexibilidade do orçamento, o desequilíbrio do sistema previdenciário e a redução da informalidade no mercado de trabalho através da reforma das leis trabalhistas.
Para isso, “os diretores enfatizam a importância de promover as reformas numa seqüência cuidadosa e construir um consenso em torno deles”, diz o documento.