23 de março, 2005 - 03h25 GMT (00h25 Brasília)
Manuela Saragosa
de Bruxelas
Ministros de Finanças da União Européia (UE) querem questionar o candidato indicado pelos Estados Unidos para a presidência do Banco Mundial, Paul Wolfowitz, antes de apoiar a sua nomeação.
A indicação do atual subsecretário de Defesa americano foi discutida às margens de uma reunião dos ministros em Bruxelas, na Bélgica.
Embora alguns membros da UE já tenham apoiado publicamente a escolha do presidente George W. Bush, os ministros da Áustria, de Luxemburgo e da Alemanha disseram que mais discussões são necessárias para que uma decisão seja tomada em nome do bloco.
Os ministros expressaram "preocupações" com a indicação e disseram que querem que Wolfowitz vá a Bruxelas antes que ele seja confirmado no cargo no fim deste mês para que possam lhe perguntar como pretende administrar a instituição.
Eles querem que Wolfowitz se posicione sobre o perdão de dívidas externas e outras questões relacionadas ao apoio ao desenvolvimento em países pobres.
Tradição
Como o maior acionista do Banco Mundial, os Estados Unidos tradicionalmente nomeiam o presidente da instituição.
A escolha de Paul Wolfowitz, um dos principais proponentes da guerra do Iraque dentro do governo americano, foi criticada por organizações ativistas como a Action Aid que acreditam que a nomeação é política e tem o objetivo de defender os interesses americanos em países em desenvolvimento.
Outros especialistas em desenvolvimento disseram que o candidato não tem as credenciais para presidir o Banco Mundial porque não tem experiência em temas de desenvolvimento.
Wolfowitz se defende dos ataques, alegando que está comprometido com a missão do Bird.
Os governos da Grã-Bretanha e da Alemanha já apoiaram publicamente a nomeação.