23 de março, 2005 - 12h56 GMT (09h56 Brasília)
Sir Peter Maxwell Davies é razoavelmente conhecido longe das terras de Grã-Bretanha. Bastante conhecido por aqui.
É, como o poeta laureado, o compositor oficial de sua majestade, a rainha Elizabeth.
Quer dizer, qualquer coisa ela faz chegar a ele um recado e pede (rainha não pede, manda) uma composição.
Algo assim feito, “Olhai, companheiro, eu quero um madrigal contra o casamento de Charles e Camilla”. O real compositor tem X dias para comparecer com a peça.
O que não se sabia, até agora, era de seus dotes culinários.
Sir Peter Maxwell Davies é cozinheiro, ou mestre-cuca, e, ao que parece, dos bons.
Iguaria rara
Seus pratos primam (e bordam) pela invenção, tal como suas composições, afirmam-me os entendidos.
Sir Peter encontra-se agora naquelas notinhas de pé de página ímpar de jornal que fazem minha delícia, põem toalha, talher e pratos na mesa de meu jantar.
Seguinte: próximo à casa do ilustre cozinheiro e compositor, em Orkney, um cisne meio burrão e desajeitado voou e foi parar numa torre elétrica.
Claro, o cisne também morre, conforme o título (aliás muito bem achado) daquele romance do injustamente esquecido Aldous Huxley.
Morre principalmente se levar um brutal choque elétrico.
Mas – e confesso minha ignorância culinária – come-se cisne?
Eu não sabia. Sir Peter, sim.
Tanto que pegou o falecido e começou a preparar caprichada terrina de cisne.
Que lambam os beiços aqueles que já provaram ou que, criminosamente, no meu entender, gostariam de provar terrina de cisne.
Problema. A polícia foi bater em sua casa e apreendeu o que restava da ilustre ave aquática da família dos anatídeos.
Como estamos numa monarquia democrática, ou democracia monárquica, Sir Peter Maxwell Davies, com todas suas credenciais e composições, perdeu para a polícia o que viria a ser a tal da terrina e, ainda por cima, foi advertido.
Procurado por outra reportagem que não esta, Sir Peter demonstrou bom humor e chegou a dizer que o incidente poderia até lhe inspirar uma composição.
Talvez, e a sugestão é minha, uma variação em torno de “A Morte do Cisne”, de Saint-Saens.