22 de março, 2005 - 12h39 GMT (09h39 Brasília)
Paulo Cabral
do Cairo
A Liga Árabe deve reapresentar a Israel – na reunião da entidade que acontece nesta terça e quarta-feira em Argel, capital da Argélia – a proposta de trocar terra por paz feita inicialmente há três anos, na reunião da liga em Beirute, no Líbano.
A proposta prevê a normalização das relações entre Israel e as 22 nações árabes, se os israelenses se retirarem dos territórios palestinos ocupados na guerra de 1967.
Até hoje, apenas Egito e Jordânia assinaram tratados formais de paz com Israel.
A Jordânia tentou apresentar uma proposta mais ousada para esta reunião, mas a idéia foi recusada pelos outros países, que temem a aparência de estarem fazendo concessões demais sem uma contrapartida dos isralenses.
Segundo relatos publicados na imprensa árabe, a proposta jordaniania incluiria a desistência de volta dos refugiados palestinos e a cessão definitiva de Jerusalém aos israelenses.
Pelo menos 12 chefes de Estado devem participar do encontro na Argélia.
Síria
A Liga Árabe deve também oferecer solidariedade à Síria contra as sanções que estão sendo impostas ao país pelos Estados Unidos, e declarar apoio ao Líbano, que passa por um momento delicado internamente.
No entanto, o tema da retirada das tropas sírias de território libanês - processo iniciado com o assassinato do ex-primeiro ministro do Líbano Rafiq Hariri, em fevereiro – não está na agenda do encontro e deve ser evitado na reunião.
Outro tema que também deve estar presente é a reforma da própria Liga Árabe, que enfrenta problemas financeiros devido aos atrasos nas contribuições de alguns dos países membros.
O secretário-geral da entidade, Amre Moussa, deve apresentar um proposta de reforma administrativa e financeira da Liga Árabe.
No campo econômico, devem ter destaque as discussões sobre a formação da Área de Livre Comércio dos Países Árabes.
Seqüestro
A ONG Repórteres Sem Fronteiras enviou uma carta a Moussa sugerindo que os países membros da Liga Árabe também façam uma apelo pela libertação da jornalista francesa Florence Aubenas e seu interprete iraquiano, Hussein Hanoun Al-Saadi, seqüestrados no Iraque em 5 de janeiro deste ano.
A organização também pediu a libertação de oito jornalistas árabes presos em seus países por crimes ligados ao exercício da profissão.
"Em quase todos os países da região - do Marrocos a Omã - difamação e outros crimes da imprensa são punidos com sentenças de prisão, contrariando recomendações da ONU e padrões internacionais. As autoridades nestes países comumente usam vários métodos repressivos contra jornalistas", diz a carta.