21 de março, 2005 - 13h39 GMT (10h39 Brasília)
Começou na França o julgamento de 47 pessoas, incluindo graduados aliados do presidente francês, Jacques Chirac, por acusações de corrupção.
Entre as acusações está a de doações a partidos políticos feitos por empresas de construção da França que receberam contratos da Prefeitura de Paris quando Chirac era prefeito da cidade.
Segundo a promotoria, o esquema envolveu o pagamento de US$ 90 milhões (mais de R$ 250 milhões) por empresas de construção, em troca de contratos lucrativos para reformar escolas secundárias em Paris.
O julgamento é um dos diversos escândalos envolvendo financiamento de partidos durante o período em que Chirac foi prefeito.
Todos os partidos políticos são acusados de se beneficiar dos pagamentos.
Imunidade
Entre os acusados estão quatro ex-ministros, todos aliados de Chirac, inclusive o ex-ministro dos Esportes Guy Drut, que faz parte do comitê olímpico encarregado da candidatura de Paris como sede das Olimpíadas em 2012.
Outro acusado é Michel Roussin, que foi chefe de gabinete de Chirac na Prefeitura de Paris e depois ministro do governo.
As acusações se referem a um período entre 1989 a 1997, cobrindo a maior parte do período em que Chirac foi prefeito de Paris.
O partido de Chirac, o RPR, foi supostamente um dos maiores beneficiários do esquema.
No entanto, o presidente não vai prestar depoimento, porque invocou a sua imunidade presidencial.
A promotoria alega também que muitos políticos se beneficiaram pessoalmente do esquema. Se forem condenados, poderão receber penas de até dez anos de prisão.
O julgamento continua até julho e até agora não provocou muito interesse na França.
Já houve vários escândalos envolvendo financiamento de partidos políticos no país, o que provocou recentemente uma mudança no sistema de distribuição de dinheiro.
Agora, os partidos políticos na França são financiados diretamente por recursos dos contribuintes.