18 de março, 2005 - 12h25 GMT (09h25 Brasília)
A Anistia Internacional publicou nesta sexta-feira relatório em que denuncia "sérias violações de direitos humanos" e "maus-tratos a presos políticos" em Cuba.
Segundo o relatório, existem atualmente 71 presos políticos em Cuba.
Eles estão "presos em toda a ilha por manifestar pacificamente suas crenças e opiniões", diz a Anistia, que "apela ao governo cubano por sua libertação imediata e incondicional".
"Tudo o que se pode fazer em Cuba para ser preso por meses e até anos é discordar das autoridades", diz a organização.
A publicação do relatório coincide com o segundo aniversário do que a Anistia chama de ofensiva de Cuba contra a dissidência.
Embargo
A Anistia afirma que a exercício da liberdade de expressão é crime na ilha.
"Isso inclui trabalhar para organizações de direitos humanos, publicar artigos, dar entrevistas para a mídia consideradas críticas ao governo cubano ou entrar em contato com autoridades americanas em Cuba ou com a comunidade de exilados cubanos nos EUA", diz a organização.
No relatório, a Anistia diz acreditar que "o embargo unilateral dos Estados Unidos contra Cuba contribui para abalar diretos políticos e civis chaves no país".
A organização apela por "imediata suspensão" do embargo, mas também ao governo cubano que "pare de usar o embargo como um pretexto para violar os direitos humanos" no país.
Maus-tratos
A Anistia diz ter informações de pelo menos quatro casos de maus-tratos a prisioneiros políticos por guardas da prisão em Cuba.
Em alguns casos, segundo a organização, isso aconteceu "em represália aos prisioneiros por terem reclamado das condições de detenção, acesso inadequado à assistência médica e restrições à comunicação com o mundo exterior".
O relatório detalha os maus-tratos, incluindo casos em que os guardas bateram em prisioneiros algemados, detenção em solitárias sem luz natural por períodos entre dois e quatro meses e suspensão de visitas ou mesmo correspondência.
Segundo a organização, 19 prisioneiros políticos foram soltos em 2004 e no início de 2005, sendo 14 deles por motivos de saúde.