15 de março, 2005 - 15h36 GMT (12h36 Brasília)
Assimina Vlahou
de Roma
A deputada Alessandra Mussolini está fazendo greve de fome para protestar contra a exclusão de seu partido das próximas eleições regionais italianas de abril.
Segundo o tribunal eleitoral, Alessandra, neta do ex-líder Benito Mussolini, teria apresentado assinaturas falsas para registrar seu movimento político – Alternativa Social, de inspiração fascista.
Das 4,3 mil assinaturas examinadas pela polícia judiciária depois da denúncia de um partido adversário, 860 estariam irregulares.
Segundo seus acusadores, ela teria organizado o esquema com a colaboração dos partidos de esquerda, tendo como objetivo comum tirar votos dos outros partidos de direita como a Aliança Nacional, do qual ela fazia parte.
Fascismo
Alessandra abandonou no ano passado a Aliança Nacional, que está na coalizão do governo, depois que seus ex-companheiros, em visita a Jerusalém, definiram o fascismo como “mal absoluto”.
Segundo ela, os princípios do fascismo ainda são válidos, mas mantêm posições abertas quanto à relação de homossexuais, inseminação artificial e direitos das mulheres.
Antes de entrar na política, Alessandra foi atriz, como sua tia Sofia Loren, e se considera muito mais “acesa” em certas lutas do que as feministas históricas da esquerda que, em sua opinião, tornaram-se “donas de casa pacíficas”.
Com elas, porém, estreitou laços de amizade ao longo de batalhas comuns no Parlamento, apesar de posições políticas opostas.
Escândalo
O caso das assinaturas falsas envolvendo Alessandra Mussolini cresceu e está se tornando um verdadeiro escândalo na Itália.
Depois de Roma, os tribunais estão investigando outras regiões e diversos partidos políticos.
"Ela é uma analfabeta nesse tipo de coisa”, afirmou sem rodeios Marco Pannella, veterano de greves de fome, fundador do Partido Radical, líder de históricas batalhas a favor do aborto e do divórcio.
Segundo Pannella, que há tempos denuncia esse tipo de irregularidade, "todas as forças políticas fazem isso, com a colaboração de todos os poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário, e das autoridades que devem controlar e tutelar a legalidade constitucional”.
Complô
De sua parte, os partidos de esquerda desmentem que tenha havido qualquer acordo e dizem que se trata de um problema interno dos partidos de direita.
O Alternativa Social poderia levar de 4% até 9% nas eleições e, desta forma, condicionar a vitória de uma ou outra coalizão.
Segundo a deputada, o caso das assinaturas falsificadas é um complô político.
“Um plano foi estudado nos mínimos detalhes, com antecedência, por um dos candidatos de centro-direita. Nós perturbamos com o meio milhão de votos que conseguimos nas eleições européias”, disse em entrevista ao jornal Corriere della Sera.
O partido de Alessandra Mussolini entrou com recurso no Tribunal Regional de Lazio.
O parecer deve sair até sexta-feira. Enquanto isso, a deputada vai continuar a greve de fome que é, em sua opinião “uma batalha pela democracia”.