15 de março, 2005 - 12h07 GMT (09h07 Brasília)
Lucas Mendes
de Nova York
Quem nunca jogou pôquer é incapaz de entender a sensação de ter na mão um full hand com três ases e duas rainhas numa mesa cheia de jogadores repicando apostas: seus dez e mais vinte... seus vinte e mais quarenta....
A febre do pôquer pegou nos Estados Unidos. A culpa, como sempre, é da televisão. Teria começado com as transmissões dos campeonatos mundiais de pôquer pela rede ESPN.
Milhões de pessoas, em 2003, acompanharam o sucesso de Chris Moneymaker, um iniciante que entrou no campeonato com US$ 40, via internet, e saiu com US$ 2,5 milhões.
Qualquer idiota aprende as regras do pôquer em meia hora, mas poucos aprendem a calcular as possibilidades das cartas e os segredos do blefe.
Da tevê, a doença do pôquer se espalhou via internet. Pelo computador, dentro de uma sala de aula, é possível jogar sem valer nada ou apostar milhares de dólares.
Michael Sandberg é um péssimo estudante numa universidade nobre, mas ano passado ganhou US$ 120 mil em mesas virtuais e em Atlantic City. Acha que descobriu uma profissão.
O vírus já atravessou a fronteira. Estudantes de famílias ricas de Montreal estão ameaçados de prisão porque falsificaram dinheiro para pagar uma dívida de US$ 12,5 mil contraída na mesa.
Durante três ou quatro anos, na época de estudante, tive a febre do pôquer. Passou com a mesma rapidez que chegou. Lembro de um parceiro muito ousado e azarado, mas sempre cheio de recursos.
Quando o dinheiro acabava, ele pagava com preciosos Medocs.
Saíamos da mesa para a adega do pai dele receber a dívida em vinhos, em seguida democraticamente repartidos com as damas da noite.
Como eram tantos e bons os vícios da juventude.