12 de março, 2005 - 04h14 GMT (01h14 Brasília)
Lesley Curwen
de Washington
Os Estados Unidos vão pagar US$ 25,5 milhões a famílias de vítimas húngaras do holocausto como compensação por saques de jóias e outros valores durante a Segunda Guerra Mundial.
Militares americanos retiraram os bens de um trem conhecido como "trem de ouro nazista", que se dirigia da Hungria para a Alemanha em maio de 1945.
O trem estava carregado com ouro, prata, porcelana, jóias, 1.200 quadros e 3 mil tapetes orientais tomados pelos nazistas de famílias judias húngaras.
O acordo é o capítulo final da história perturbadora do trem de ouro nazista.
Comissão
Estima-se que a carga possa valer hoje US$ 90 milhões.
O trem foi interceptado pelo exército americano e jamais chegou à Alemanha. O tesouro que transportava desapareceu.
Mais de meio século depois, uma comissão especial formada durante os anos 90 pelo então presidente Bill Clinton confirmou o saque realizado por soldados americanos, incluindo oficiais de alta patente.
O episódio é visto como uma mancha vergonhosa na participação americana na Segunda Guerra Mundial. As famílias húngaras que levaram o caso à Justiça receberam com cautela a decisão.
Seus advogados dizem que não se trata apenas de dinheiro, mas de ajustar contas com a história.
A maior parte do dinheiro não irá para famílias que perderam bens.
Ele será dado a sobreviventes carentes do holocausto que moram na Hungria, nos Estados Unidos, em Israel e no Canadá.
Talvez, o mais importante para as famílias seja o fato de que o governo dos Estados Unidos reconheceu o papel do exército do país no caso.
Membros do Congresso já vinham pedindo há tempos que o governo Bush fechasse um acordo.
O senador republicano Arlen Specter disse que o governo deveria admitir que sobreviventes do holocausto foram vítimas de fraude.