09 de março, 2005 - 19h11 GMT (16h11 Brasília)
Paulo Cabral
enviado especial a Beirute
A maioria dos deputados no Parlamento libanês pediu a permanência do primeiro-ministro demissionário pró-Síria Omar Karami, nas consultas formais feitas nesta quarta-feira pelo presidente Emile Lahoud.
Karami pediu demissão na semana passada depois das manifestações contra o governo promovidas após o atentado a bomba em fevereiro que matou o ex-primeiro-ministro Rafiq Hariri.
O gabinete demissionário, no entanto, permaneceu no comando do país enquanto o presidente discutia um novo gabinete com lideranças políticas.
Como a maioria do Parlamento é formada por deputados pró-Síria - posição reforçada pela grande manifestação promovida nesta terça-feira pelo Hezbollah - a permanência de Karami acabou sendo confirmada.
"Legalmente, a maioria do Parlemento é pró-Síria, mas a legitimidade é outra questão. Esses deputados eleitos há quatro anos participaram de uma eleição manipulada pela Síria", disse o presidente do partido oposicionista Bloco de Resistência, Carlos Eddé.
Oposição
A oposição preferiu não indicar nenhum nome e, ao invés disso, entregou ao presidente Lahoud uma lista de exigências para apoiar o novo governo.
Entre elas estão uma investigação internacional a respeito do atentado que matou Hariri e a nomeação de ministros independentes das forças políticas sírias.
Carlos Eddé disse que a oposição quer um governo neutro que prepare as próximas eleições parlamentares, marcadas para maio, de maneira justa e isenta.
"Não temos nenhum interesse em um gabinete de união nacional, porque não temos confiança no governo que está aí", disse Eddé. "Mas mais importante do que o nome do primeiro-ministro é ver quem serão os outros componentes deste gabinete. Se for um grupo de tecnocratas isentos, a oposição pode voltar a conversar."
Tropas
Entre as exigências da oposição - que foram discutidas na semana passada - estava também a saída das tropas sírias de território libanês.
O pedido já foi parcialmente atendido com o anúncio, feito na segunda-feira pelos governos dos dois países, de que os cerca de 14 mil soldados sírios vão se deslocar para o Vale do Bekaa, perto da fronteira entre os dois países, até o fim deste mês.
De acordo com a declaração apresentada por Lahoud e pelo presidente sírio, Bashar al-Assad, depois desta primeira fase os dois governos vão voltar a conversar para a definição de uma saída completa.
A decisão foi classificada de um bom começo pela maioria da oposição libanesa, mas não satisfez os Estados Unidos, que classificam de "meias medidas" qualquer coisa menos do que a retirada completa e imediata.
A oposição também quer a renúncia dos chefes dos serviços de segurança libaneses, mas não há ainda nenhuma indicação de que esta demanda será aceita.