08 de março, 2005 - 09h24 GMT (06h24 Brasília)
Lucas Mendes
de Nova York
O escritor Scott Fitzgerald disse que na vida americana não existe segundo ato. Martha Stewart prova o contrário.
Poucos criminosos saíram tão bem da prisão. Michael Milken, que ficou bilionário em Wall Street, passou 22 meses na penitenciária e pagou US$ 200 milhões de multa.
Quando saiu, lutou contra um câncer e conseguiu reabrir muitas portas distribuindo dinheiro entre os pobres.
Apesar da generosidade, ainda é mais famoso como escroque do que como filantropo.
Ivan Boesky, especulador da bolsa, e Eddie Antar, criador de uma cadeia de lojas eletrônicas, continuam malditos.
Multa
Steve Madden, milionário dos sapatos, ainda está cumprindo sua sentença e não desperta pena.
Leona Helmsley, a imperatriz da rede hoteleira, passou 18 meses na prisão por evasão de impostos. Pagou multa de US$ 1,7 milhão e cumpriu 900 horas de serviços comunitários.
Hoje, freqüenta os melhores restaurantes de Nova York, mas continua famosa pela maldade e debochada pelos tablóides.
O crime de Martha Stewart foi de mentir para os investigadores. Os presidentes da Enron e da Worldcom, acusados de crimes muito mais sérios, continuam fora da prisão. Há dezenas de outros escroques e fraudadores que foram apenas multados ou nem tanto.
Martha Stewart, num momento genial de relações públicas, pediu para ir para a penitenciária antes de esperar pelo resultado do pedido de recurso que poderia ter mudado a sentença.
Durante cinco meses, ela lavou chão e privadas, cozinhou, tratou guardas com respeito e as outras presas como iguais.
A diva das prendas domésticas e do lar doce lar americano entrou na prisão amaldiçoada. Saiu mais famosa, mais rica, mais magra e mais popular do que nunca.
Prisões foram criadas para punir criminosos e intimidar bandidos em potencial. No caso de Martha, foi uma benção.