07 de março, 2005 - 15h20 GMT (12h20 Brasília)
A oferta de renúncia do presidente da Bolívia, Carlos Mesa, é "chantagem", segundo Evo Morales, um dos principais líderes da oposição boliviana.
"Os movimentos sociais mobilizados não estão pedindo a renúncia de Carlos Mesa", disse o oposicionista à BBC.
"Essa renúncia é simplesmente para chantagear o povo boliviano a não mudar nada a fundo."
Mesa anunciou sua renúncia no domingo, em meio a protestos contra o seu governo.
Ele disse em rede de rádio e TV que vai apresentar formalmente o pedido de renúncia ao Congresso nesta segunda-feira.
As ameaças de Morales de promover uma onda de bloqueios de estradas esta semana na Bolívia foram um dos fatores que desencadearam o anúncio de Mesa.
Morales vem promovendo um projeto de lei que aumentaria em até 50% os impostos sobre empresas estrangeiras de petróleo.
Mesa rejeitou a proposta até agora, dizendo que a comunidade internacional não a aceitaria.
Agenda
Morales é dirigente do Movimento ao Socialismo (MAS).
Segundo o líder oposicionista, a suposta renúncia de Mesa tem como objetivo "não cumprir a agenda de outubro de 2003" (para novas eleições).
"Já deveríamos estar nos preparando para as eleições, mas até o momento não foi feita a convocação para a Assembléia Constituinte."
"(A renúncia é para) não mudar o modelo neoliberal e não mudar a lei. Agora sim conhecemos o verdadeiro Carlos Mesa, defensor das privatizações, das multinacionais e não defensor do povo boliviano."
O dirigente do MAS não acredita que a Bolívia entre em guerra civil.
No entanto, Morales disse que Mesa "está pondo em risco a democracia e todos os bolivianos com sua posição ambivalente, sua posição equilibrista, sua posição fundamentalmente a serviço das multinacionais, e não a serviços dos bolivianos".
Ele disse ainda que a mobilização na Bolívia "depende do Parlamento".
"Se o Parlamento aprova uma nova lei, pára qualquer manifestação."