06 de março, 2005 - 02h59 GMT (23h59 Brasília)
Uma pesquisa realizada pelo Serviço Mundial da BBC mostra que a influência da China no mundo é vista como mais positiva que a dos Estados Unidos e da Rússia.
Em média, nos 22 países onde foi feito o estudo, 48% dos entrevistados afirmaram que o papel da China atualmente é mais positivo que negativo. No Brasil, essa foi a opinião de 53% dos entrevistados.
Apenas 30%, em média, disseram ver a influência do país asiático como mais negativa.
Quando comparados os resultados obtidos em pesquisas semelhantes que observaram a influência dos Estados Unidos ou da Rússia, a China também se sobressaiu.
Em média, 38% dos entrevistados disseram ver a influência americana como positiva, enquanto apenas 36% afirmaram o mesmo em relação à Rússia.
Preocupação
A maioria das pessoas entrevistadas – 49% – também classificou como positivo o crescimento econômico da China, mas apenas 24% disseram ser positivo o fato de o país estar fortalecendo seu poderio militar.
Mesmo em outros países asiáticos, que têm uma histórica posição cautelosa em relação à China, as opiniões foram relativamente boas.
A única exceção foi o Japão, onde apenas 22% dos entrevistas disseram ver a influência do vizinho como positiva.
Muitos japoneses preferiram não emitir sua opinião, e outros 25% afirmaram que o impacto da China é negativo para o mundo.
'Impressionante'
O estudo entrevistou 22.953 pessoas e foi conduzido especialmente para o Serviço Mundial da BBC pelo instituto de pesquisas GlobeScan, junto com o Programa para Atitudes em Política Internacional (Pipa, na sigla em inglês), da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos.
"É impressionante que, mesmo com seu enorme crescimento econômico, a China seja vista como uma boa influência, especialmente para seus vizinhos", disse Steven Kull, diretor do Pipa.
"Apesar disso, essa opinião cordial... parece depender de a China conseguir impedir a si mesma de tentar converter seu poderio econômico em uma presença militar ameaçadora."
Em relação à economia, até no México, onde os operários freqüentemente competem diretamente com os da China, 54% dos entrevistados se mostraram positivos em relação ao crescimento econômico da China.
Já quando o assunto é o poderio militar do país asiático, cidadãos de Austrália, Japão, Estados Unidos e nações européias se dizem preocupados.
Os Estados Unidos está considerando a suspensão do embargo de venda de armas à China.
O correspondente da BBC em Pequim, Tony Cheng, diz que a China raramente sentiu necessidade de olhar para além das suas fronteiras.
Mas o país está se abrindo. O uso intensivo da internet e a expansão das mídias de massa trouxeram o resto do mundo para a casa de chineses comuns pela primeira vez.
Segundo Cheng, por isso mesmo há uma preocupação crescente com a imagem do país. Para ele, os chineses estão cientes de que o progresso só virá se eles se unirem com o resto da comunidade internacional.