02 de março, 2005 - 05h10 GMT (02h10 Brasília)
O presidente da Síria, Bashar Assad, disse à revista americana Time que vai retirar as tropas que o seu país mantém no Líbano "nos próximos meses".
"(A retirada) deverá ocorrer em breve e talvez nos próximos meses. Não depois disso. Eu não posso lhe dar uma resposta técnica. O ponto é (que vai ser) nos próximos meses", disse Assad ao jornalista da Time Joe Klein.
O presidente disse ainda que a discussão da retirada deve ser feita com a ONU e que o encarregado dessa questão, o enviado Terji Roed-Larsen, "volta (à região) em março".
Quando o jornalista insistiu que o presidente sírio desse um cronograma, Assad disse que não se trata de uma questão política, e sim técnica, que dependia de consultas com militares.
"Eu não posso dizer que nós poderíamos fazê-lo em dois meses porque eu ainda não tive o encontro com o pessoal do Exército. Você precisa se preparar para trazer o seu Exército de volta ao seu país. Você precisa preparar onde você vai colocar essas tropas."
Fronteiras
Segundo Assad, há dois fatores envolvidos na retirada: a segurança do Líbano (que ele reconheceu ter melhorado) e a proteção da fronteira libanesa com Israel.
O presidente sírio disse que Israel "chegou muito perto de Damasco (a capital síria)" quando invadiu o Líbano em 1982.
Assad disse a Times que uma eventual retirada das cerca de 15 mil tropas sírias estacionadas no Líbano exigiria o reforço de tropas sírias na sua fronteira com o país.
O governo americano vem aumentando as pressões sobre a Síria para que acabe com a sua presença militar no Líbano, que mantém desde 1976.
Em Londres para participar de uma conferência sobre a Autoridade Palestina, a secretária de Estado americana, Condoleeza Rice, disse nesta terça-feira que a Síria deve retirar suas forcas do Líbano de maneira “total e imediata”.
Rice fez o pronunciamento em conjunto com o ministro das Relações Exteriores da França, Michel Barnier, durante um encontro na capital britânica para dar apoio aos novos membros da Autoridade Palestina.
“Os Estados Unidos e a França (...) reiteram o chamado para a total e completa implementação da Resolução 1559 do Conselho de Segurança da ONU. Isso significa a total e imediata retirada de todas as forças militares e de inteligência sírias do Líbano”, disse Rice.
Quando lhe perguntaram se os americanos estariam dispostos a tomar alguma ação para forçar uma retirada síria, a secretária de Estado disse apenas que iria continuar as discussões com a ONU e outros países para analisar a situação.
Quanto à necessidade de se enviar uma eventual forca externa ao país, no caso de uma retirada síria abrir um vácuo de controle, Rice afirmou que os americanos e a comunidade internacional terão que ver como “poderão dar apoio” para que seja mantida a estabilidade no país.