02 de março, 2005 - 08h29 GMT (05h29 Brasília)
Eu vou beber até cair no chão. Eu vou tomar um porre federal. Eu vou tomar um pifão. Eu vou tomar uma tremenda bebedeira.
Claro que não é uma boa idéia. Na minha idade ou qualquer outra.
O melhor é beber devagarzinho, saboreando cada gole. Mesmo que seja de água de coco com uísque.
Isso tudo me vem à mente porque, pelas ruas e bares destas ilhas, o fenômeno do “binge drinking” não sai dos jornais, continua na pauta dos senhores legisladores e, vez por outra, ocorre na esquina de minha casa.
"Binge drinking”. Definamos. Trata-se de consumir o máximo de bebida alcoólica no mínimo de tempo possível.
A avidez daqueles que não sabem e – sou capaz de jurar – não gostam de beber.
O objetivo é aquele que especifiquei no início deste papo: beber até cair no chão etc.
Os ingleses são o único povo que conheço que pratica a nefanda abominação do “binge drinking”. Ao que parece, os franceses, os alemães e até os finlandeses bebem mais. Mas espaçando mais os goles.
Depois, não vão para as ruas ou ficam zanzando pelos arredores dos metrôs aborrecendo os passantes (mais) sóbrios e vomitando a alma para dar trabalho aos serviços de limpeza na manhã seguinte.
Apesar do governo trabalhista ter obtido novos poderes para lidar com o fenômeno britânico, hoje em dia mais popular que o chá das cinco, a polícia, em quatro anos, só conseguiu processar um único e solitário “bingador”, se me permitem cunhar e contribuir com um anglicismo para engrandecer nossa língua, embora cruzando os dedos para que a moda não pegue aí – a moda da bebedeira relâmpago imoderada.
O pobre do coitado não tinha mais nem pernas para se mandar e, bêbado burro, deve ter confessado tudo na delegacia: “Sim, senhor! Eu sou um “bingador” com muito orgulho e quebro a cara de quem se meter comigo!”, imagino que tenha dito.
Tentam explicar o fenômeno dizendo que é porque os lugares que servem bebida têm hora para abrir e fechar. Que a solução é deixar que todo mundo possa beber o tempo todo todos os dias, se assim quiser. No lo creo, como dizem os abstêmios venezuelanos.
A única explicação razoável é o amor dos britânicos pela tradição. Quanto ao fato de filme com Brad Pitt ter pego por aqui, é a exceção que confirma a regra.