25 de fevereiro, 2005 - 17h21 GMT (14h21 Brasília)
Richard Black
Um tratado global proposto nesta semana para combater a poluição com mercúrio foi rejeitado em uma conferência do Programa da ONU para o Meio Ambiente em Nairóbi, a capital do Quênia.
A União Européia disse que o acordo é necessário para diminuir o uso de metais pesados tóxicos, que causam danos neurológicos e também problemas a fetos.
Mas, em vez do acordo, no encontro do conselho do Programa da ONU para o Meio Ambiente (Unep, na sigla em inglês) foi aprovado um sistema de "parcerias voluntárias".
A idéia foi proposta pelos Estados Unidos, que disseram que as parcerias ajudariam a combater o problema.
Parcerias
O sistema de parcerias voluntárias inclui países ricos como doadores, países pobres com problemas ligados ao mercúrio, organismos como a Unep e o Banco Mundial e e indústrias.
"Nós conseguimos convencer a União Européia, a Noruega e a Suíça de que precisamos de uma ação imediata", disse à BBC a chefe da delegação dos Estados Unidos, a vice-secretária-assistente para Meio Ambiente, Claudia McMurray.
"Podemos começar rapidamente, enquanto um tratado poderia demorar anos. Mas nós vamos voltar a falar sobre isso daqui a algum tempo", afirmou.
Para grupos ambientalistas, essa não é a única razão pela qual os Estados Unidos se opuseram a um acordo global.
Usinas de energia movidas a carvão são a maior fonte de mercúrio dentro dos Estados Unidos, respondendo por cerca de 40% da produção americana.
"Eles estão basicamente reescrevendo trechos da Lei do Ar Limpo", afirmou Stadler.
Essa interpretação recebeu a confirmação de uma fonte dentro da Agência de Proteção Ambiental do governo americano.
A fonte disse à BBC que os chefes da agência querem evitar regulações internacionais de efeito obrigatório, porque ela restringiria a possibilidade de regulamentar as emissões de mercúrio dos Estados Unidos.
McMurray rejeitou a idéia de que as questões domésticas americanas estejam ditando a posição internacional.
"Os Estados Unidos estão fazendo história. Eles nunca regularam emissões de mercúrio de usinas de energia antes, assim como nenhum outro país desenvolvido", disse.
O apoio europeu a um tratado global é uma extensão da posição que o continente adotou recentemente sobre sua própria produção de mercúrio.
No fim de janeiro, a Comissão Européia lançou a "Estratégia do Mercúrio", com o objetivo de reduzir o uso e a produção do metal.
Tóxico
A estratégia inclui a eliminação da exportação de mercúrio por países da União Européia até 2011 e a proibição da comercialização de equipamentos que contenham mercúrio - tais como termômetros -, com algumas exceções.
Também está incluída nessa estratégia a eliminação do uso de mercúrio na indústria que converte sal e água em cloro e soda cáustica.
Ao explicar as razões por trás da estratégia, a comissão disse que "o mercúrio e seus componentes são altamente tóxicos para seres humanos e para o meio ambiente".