21 de fevereiro, 2005 - 13h00 GMT (11h00 Brasília)
Michelle Roberts
de Washington
O reino animal pode dar pistas importantes sobre o crescimento da taxa de gravidez na adolescência, segundo pesquisa da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos.
Experiências estressantes durante a adolescência fazem com que o instinto maternal se desenvolva prematuramente em macacas, diz o estudo, apresentado durante encontro da Associação Americana para o Avanço da Ciência, em Washington.
A pesquisa indica que, de maneira similar, meninas que crescem sem a presença do pai atingem antes a puberdade e ficam mais emotivas diante de fotos de crianças.
"Mas esses fatores tem de ser considerados juntamente com problemas socioeconômicos mais óbvios", diz o cientista Dario Maestripieri, um dos autores do estudo.
Instinto maternal
Maestripieri estudou o sistema reprodutivo e o comportamento paternal em macacos e humanos.
As fêmeas estudadas e que foram expostas a um cuidado maternal intenso durante a infância desenvolveram mais cedo o interesse em crianças, assim como uma taxa mais alta de hormônios relacionados ao estresse durante o crescimento.
Segundo Maestripieri, o mesmo acontece com as adolescentes humanas.
"Influências sociais são muito importantes para a reprodução humana", diz ele. "As coisas que acontecem com as famílias nos primeiros anos de vida têm conseqüências que são levadas para além da infância. Adolescentes que não têm a presença do pai em casa começam a menstruar mais cedo."
Estresse
Segundo ele, há várias teorias que explicariam a maior taxa de gravidez entre adolescentes.
"O fato de existirem outros homens por perto, como namorados da mãe, pode acelerar a puberdade", diz Maestripieri.
Mas ele sugere que sua pesquisa com macacos mostra que a qualidade dos cuidados maternais é muito importante.
"Situações de estresse desde muito cedo podem acelerar o desenvolvimento do instinto maternal tanto nos humanos quanto nos macacos."