19 de fevereiro, 2005 - 06h06 GMT (04h06 Brasília)
Susannah Price
de Nova York
O diretor Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), Ruud Lubbers, contestou acusações de abuso sexual feitas contra ele num relatório confidencial.
Lubbers disse a repórteres em Nova York que as alegações são "caluniosas" e que ele não vai renunciar.
O alto funcionário da ONU se referia a uma reportagem do jornal britânico The Independent, que publicou detalhes de um relatório confidencial interno que o acusa de um padrão de assédio sexual.
Lubbers fez os comentários ao sair de uma reunião com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan. Ele disse que Annan pediu que ele ficasse até o fim do seu mandato, no final deste ano.
O diretor da agência pda ONU para refugiados disse que a explicação dele sobre o incidente foi convincente para o secretário porque "havia duas testemunhas na sala que viram claramente que eu conduzi a senhora para fora da sala com a minha mão nas costas dela e foi só isso".
Contato "involuntário"
O relatório confidencial alegava que Lubbers havia tido contato físico involuntário com a funcionária da sede do Acnur em Genebra, na Suíça.
Segundo o documento, alegações feitas por outras funcionárias indicavam um padrão de assédio sexual, embora apenas uma tenha apresentado uma queixa formal.
A investigação interna também concluiu que Lubbers tentou influenciar o resultado do relatório.
Annan recebeu o relatório no ano passado, mas não considerou as provas suficientes.
As alegações vêm à tona num momento em que a ONU está sob pressão por causa de denúncias de abusos sexuais cometidos por forças de paz no Congo e por acusações de má gestão e corrupção no programa Petróleo por Comida, do Iraque.