18 de fevereiro, 2005 - 15h44 GMT (13h44 Brasília)
Jair Rattner
de Lisboa
Os portugueses vão às urnas neste domingo, e a expectativa no país é que o Partido Socialista volte ao poder.
Todas as sondagens publicadas na última semana colocam os socialistas, liderados por José Sócrates, com entre 44% e 46% nas intenções de voto.
O Partido Social Democrata, do primeiro-ministro Pedro Santana Lopes, aparece bem atrás, com entre 27% e os 31% dos votos válidos.
Com 47 anos e formado em engenharia civil, o candidato socialista se define como admirador do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, apesar de divergências, especialmente em relação à guerra no Iraque.
Santana Lopes
Ex-prefeito de Lisboa, Santana Lopes chegou ao cargo de primeiro-ministro por escolha da direção do partido, depois que José Manuel Durão Barroso renunciou para ocupar a Presidência da Comissão Européia.
O processo de escolha de Santana Lopes foi um dos alvos da campanha do socialista José Sócrates.
“Hoje as democracias exigem que o primeiro-ministro vá a votos e um primeiro-ministro que não vai a votos fica diminuído no poder que tem de comandar uma equipe, na sua legitimidade" disse Sócrates.
Outro tema que dominou a campanha foi o desemprego, que está na marca mais alta dos últimos oito anos: 7,1%.
Os socialistas colocam a culpa no governo do PSD. Já o partido da situação diz que a situação é resultado da herança do ultimo governo socialista, que deixou o poder em 2002.
Para o dirigente do Partido Social Democrata e candidato a deputado por Lisboa, Manuel Dias Loureiro, isso é culpa do antigo governo socialista, que deixou o poder há três anos.
“O país estava numa situação muito difícil quando o PS saiu do poder. Em vez de ter seguido uma linha que apostava no aumento da capacidade produtiva do país, o Partido Socialista assentou num modelo de consumo”, disse.
“O emprego neste momento é uma preocupação em Portugal, mas só vai começar a crescer quando a economia voltar a crescer mais de dois pontos percentuais", acrescenta Loureiro.
Para o analista político Carlos Magno, as eleições estão julgando o atual primeiro-ministro.
“Ela é, antes de mais, uma espécie de plebiscito do atual primeiro-ministro.
Mais do que decidir qual é o partido que ganha e qual o partido que perde, os portugueses são chamados neste momento a pronunciar-se se querem ou não o Santana Lopes”, disse Magno.