17 de fevereiro, 2005 - 19h16 GMT (17h16 Brasília)
A revista The Economist afirma na edição desta semana que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “perdeu o controle do Congresso”.
A constatação é feita em uma reportagem sobre a vitória do deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) na eleição para presidente da Câmara dos Deputados, no que a revista chama de “inesperada derrota” para o governo que “tornou nebulosas as suas perspectivas no Legislativo e expôs a sua fraca gestão política” .
A revista diz que Cavalcanti é um líder do “voraz baixo clero”, cujo principal objetivo “é conseguir concessões para suas regiões eleitorais”, e que “sua agenda não é a do governo”.
Entre as medidas defendidas pelo presidente eleito da Câmara, a Economist diz que a mais “danosa” é a idéia de dar ao Congresso “maior controle sobre o Orçamento”.
“O governo só pode culpar a si mesmo pelo revés”, diz a revista, observando que o PT lançou dois candidatos ao cargo, fazendo com que se desse pouca atenção ao baixo clero nos dias que antecederam a votação.
A revista afirma ainda que o programa de reformas apresentadas pelo governo ao Congresso “é mais modesto do que poderia ser” e que, agora, a aprovação delas vai ser “mais lenta, incerta e cara em concessões”.
Freira
A Economist publica também nesta semana um obituário da freira americana Dorothy Stang, que foi assassinada no Pará no dia 12 de fevereiro.
A revista qualifica a freira de “uma mártir para a Amazônia” e diz que sua morte causou quase tanta indignação quanto a do seringueiro Chico Mendes, em 1988.
Mas observa que “a Amazônia produz um fluxo quase ininterrupto de mártires, a maioria rapidamente esquecida”.
A revista diz que a violência na região tem como pano de fundo uma “mistura tóxica: a terra é barata, mas potencialmente valiosa, sua possessão é insegura, e o Estado, impotente”.
A reportagem afirma que o governo federal ficou “mordido” por causa de acusações de que havia ignorado ameaças contra a freira e prometeu punir os assassinos – “uma coisa rara” de acontecer, na visão da revista.
Mas a reação do governo não deve significar a imposição do domínio da lei na região, diz o texto. “Os governos federal e estaduais não tem a determinação nem os recursos para providenciar isto.”