16 de fevereiro, 2005 - 18h58 GMT (16h58 Brasília)
Diego Toledo
enviado especial a Paramaribo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira em Paramaribo, no Suriname, que a colaboração da Caricom (Comunidade do Caribe) é fundamental para que a segurança no Haiti seja restabelecida.
“O apoio da comunidade internacional é essencial para que o Haiti reencontre o caminho da superação dos conflitos e dilemas do país”, afirmou o presidente.
A Caricom não reconhece o governo provisório que assumiu o poder no Haiti após a revolta de grupos armados que resultou na queda do então presidente Jean-Bertrand Aristide em fevereiro do ano passado.
Lula fez a declaração durante discurso na reunião de cúpula da Caricom. A participação no evento foi o principal compromisso do presidente na visita de menos de 24 horas ao Suriname.
O presidente cancelou a participação em outros eventos no país para antecipar seu retorno ao Brasil e acompanhar de perto o agravamento da tensão causada pelos conflitos agrários no Pará.
Diálogo político
No discurso em Paramaribo, Lula reconheceu que a Caricom sempre defendeu a legitimidade de governos democraticamente eleitos, mas pediu que o Haiti seja transformado em um “paradigma de colaboração internacional”.
“É preciso haver desarmamento dos espíritos, para que haja diálogo político e se retome o desenvolvimento econômico e social”, disse o presidente.
“O Brasil engajou-se no Haiti motivado pela solidariedade e pela crença na possibilidade de devolver uma nova esperança de paz e justiça aos irmãos haitianos”, acrescentou.
Lula também disse que o governo brasileiro está empenhado em assegurar que os recursos prometidos ao Haiti em uma conferência de doadores realizada no ano passado cheguem rapidamente à população do país.
Sabor caribenho
Durante a cúpula da Caricom, o presidente Lula destacou ainda os avanços na negociação de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e o bloco caribenho.
Além disso, o presidente disse que a adesão da Guiana e do Suriname à Comunidade Sul-Americana de Nações dará à entidade um “sabor caribenho”.
“É prioridade de meu governo a integração com países e regiões vizinhas. Unindo forças e compartilhando objetivos, seremos mais respeitados política e economicamente”, afirmou Lula.
Ao longo da viagem, Lula também agradeceu o apoio do Suriname e da Guiana à candidatura do Brasil a uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU.
De acordo com o presidente, a mensagem apresentada em Paramaribo é a mesma que foi levada ao Fórum Social de Porto Alegre e ao Fórum Econômico Mundial: “não existem atalhos para conquistar a paz e a justiça no mundo”.
“É indispensável que as Nações Unidas recobrem sua credibilidade e que o Conselho de Segurança, em particular, reflita o crescente peso dos países em desenvolvimento nas grandes questões internacionais”, afirmou Lula.