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07 de fevereiro, 2005 - 09h20 GMT (07h20 Brasília)

Ishbel Matheson
de Adis-Abeba, Etiópia

Milhares lembram 60º aniversário de Marley, na Etiópia

Dezenas de milhares de pessoas se reuniram na capital da Etiópia, Adis-Abeba, no domingo, para lembrar o dia em que a lenda do reggae, Bob Marley, faria 60 anos.

Dizendo que o músico era um "profeta", milhares de rastafáris se enrolavam em bandeiras com as cores vermelha, amarela e verde, e usavam camisetas com a imagem de seu ídolo.

Eles se juntaram aos moradores de Adis-Abeba para apreciar um megashow gratuito que celebrou a vida e os ideais de Marley, morto em 1981, aos 36 anos, vítima de um câncer.

O show contou com performances dos cinco filhos de Marley e sua viúva, Rita, além de grandes nomes da atual música africana, como Youssou N'Dour, Angelique Kidjo e Baaba Maal.

'Casa espiritual'

Esta foi a primeira vez que o aniversário do músico foi comemorado oficialmente fora da Jamaica, sua terra natal.

A Etiópia é considerada pelos adeptos do rastafári como a sua "casa espiritual", já que, como Marley, enxergam o falecido imperador etíope Haile Selassie como o seu "líder".

A vida de Marley pode ter sido curta, mas o seu legado é extenso. Sua mensagem de paz, amor e união ainda encontram ressonância na Etiópia.

"Nasci no Brooklyn, em Nova York, mas sou rastafári e estou aqui para homenagear Bob Marley e aquilo que ele defendia", disse um dos presentes. "Ele acreditava na paz e no amor – as coisas não se resumiam à maconha."

'África Unida'

O tema do megashow foi "África Unida", o que provocou uma reação bastante positiva entre os etíopes, que esperam que o evento projete uma visão diferente de seu país, geralmente associado à pobreza e à fome.

Ziggy Marley, um dos filhos do músico homenageado, disse à BBC que a Etiópia era muito importante para o seu pai, que a via como o berço da civilização.

"Foi daqui que todos nós viemos. E isso é ciência, não é pregação religiosa", afirmou. "A mensagem de hoje é de que a África deve se unir. É nisso que estamos nos concentrando."

A viúva do músico, Rita Marley, voltou a dizer que gostaria que o corpo do marido fosse tranferido da Jamaica para ser enterrado na comunidade etíope de Shashamene.

"Era um sonho dele e é um sonho da família", afirmou. "E como acreditamos que 'o que deve ser assim será', isso logo deve ser realizado."

As comemorações do 60º aniversário de Marley continuam na Etiópia e em outra partes do mundo até o fim do mês, com exposições de arte e fotografia.

O dinheiro arrecadado será destinado à construção de um centro para jovens e um museu na Etiópia, e à ajuda das vítimas do tsunami na Somália.