31 de janeiro, 2005 - 08h41 GMT (06h41 Brasília)
O carnaval espreita e sou todo perguntas. Ainda há bailes carnavalescos? Baile dos Artistas? Bailes dos Hotéis Glória, Copacabana e Quitandinha? Ainda há Rainha do Rádio?
Tenho a certeza que não. Acho que mesmo na minha época já não havia mais.
Isso acabou quando o carnaval era uns dias onde se pulava, se jogava confete na boca dos outros e lança-perfume nas pernas roliças (obesas?) das moças.
Desfile de fantasia e de escola de samba era programa de quem não gostava de pular ou brincar no carnaval – que era baile e bonde. Pelo menos para este ex-folião de desgraça que, ao contrário de Jamelão, vive atravessando.
Atravessando tudo. Samba e vida.
Mas eu falei em Rainha do Rádio. Esqueci da Rainha das Atrizes. E do Rei Momo, então obrigatoriamente gordo (obeso?) e eleito direitinho feito os representantes do povo hoje em dia: ninguém sabia direito como e por quem.
Aqui não tem muita graça. A gente sabe quem está no trono, sabe quem deverá ir para o trono.
Para esquentar as coisas, como quem esquenta um tamborim, digamos, um deputado conservador, Jonathan Sayeed, de 56 aninhos, pretende propor, em pleno parlamento, sem orquestra e cerveja, que no futuro os monarcas britânicos sejam eleitos pela Câmara dos Comuns.
Sayeed não é tão pirata da perna de pau assim. Alega que não quer, em hipótese alguma, destronar a atual Rainha, dona Elizabeth de Tal, 78 primaveras.
Ela que cumpra seu mandato até o fim. Depois então é que os mui dignos representantes do povo elegeriam aqueles destinados a ocupar o palácio de Buckingham – esse Municipal, Recreio, Carlos Gomes e João Caetano dos palácios britânicos.
Até agora, não vi, a respeito, uma única palavra escrita, falada ou televisionada. Mas sei lá porque, não me sai da cabeça um lenço empapado em lança-perfume metálico e dourado da Rhodia.