26 de janeiro, 2005 - 14h40 GMT (12h40 Brasília)
Graças a Deus, passou segunda-feira dia 24 de janeiro.
Passou e eu por ela. Incólume.
24 de janeiro é o pior dia do ano. O mais prenhe de urucubacas, o mais azarado, o mais depressivo.
Não se trata de superstição. É científico.
Científico feito o ar encanado que dá em resfriado, científico feito pronunciar o nome daquele brasileiro que deu asas ao homem.
Quem o prova e comprova é Cliff Arnall, da Universidade de Cardiff, no País de Gales.
Chamei de Cliff, sem professor antes, porque foi assim que deram no jornal.
Deve ter perdido título, diploma, o que for, num 24 de janeiro de sua – pobre – vida.
Cliff chegou à conclusão de que 24 de janeiro é o dia mais deprimente do ano após virar e revirar fórmulas as mais complicadas que englobam condições climáticas adversas, dívidas deixadas pela época natalina, desmandos cometidos na mesma época, desapontamento com a incapacidade das pessoas de manterem suas resoluções de ano novo, as dívidas comuns à época acusadas pelos cartões de crédito e, somado a tudo isso, saber que os próximos feriados, só daqui a alguns meses.
Há também, embora meu querido Cliff, o galês, não mencione, a conhecida síndrome do motorista de inverno.
É aquela condição do camarada que não agüenta o carro da frente estar na velocidade em que está, em geral, claro, menor do que a devida para a fila em que se encontra.
Como todo mundo tem carro, todo mundo se aborrece.
Principalmente no dia 24 de janeiro, por sinal, dia da morte de sir Winston Churchill.
O fato, no entanto, aziago para o grande estadista e escritor não foi levado em conta, ao que parece, por Cliff.
De qualquer forma, o pior que me aconteceu foi não encontrar, no supermercado, a comida preferida de minha gata.
Foi chato, mas não chegou a ser um desastre.
Além do mais, tenho minha própria macumbinha para rebater o 24/1 galês.
Noto que os dias começam a ficar alguns minutos mais longos. Reparo que um ou outro narciso dá o ar de sua graça em certos jardins.
Muitos celebrarão o fato de tratar-se da data do septuagésimo aniversário do dia em que inventaram a cerveja em lata, o que para mim é indiferente.
Comemoro, no entanto, o fato que, esta semana, não tem mais – viva! – o Big Brother local.